Pegou de surpresa empresários e autoridades do Rio Grande do Sul a informação de que foi assinada a criação do Parque Nacional do Albardão no Rio Grande do Sul. É um debate de mais de 20 anos, mas que, na visão dos envolvidos aqui pelo Estado, ainda estava em andamento, inclusive com reunião marcada para a próxima semana com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O órgão é para ser o responsável por administrar o espaço. Seu posicionamento pela necessidade de criação do parque já havia sido formalizado ao Ministério de Minas e Energia. A informação agora é de que o presidente Lula assinou o decreto de criação, que está para ser publicado no Diário Oficial da União.

O Parque Nacional do Albardão prevê mais de 1 milhão de hectares, que passarão a ter restrição forte de uso para preservação especialmente de animais marinhos. A área fica, em grande parte, no mar, mas pega também faixa de areia. O traçado aumentou bastante ao longo da avaliação da área que seria englobada pelo parque.
De outro lado, há uma forte preocupação econômica, que começa com a comunidade de pescadores. Veio deles, inclusive, a manifestação mais forte quando da realização das audiências públicas, pois a pesca artesanal também seria atingida.
Além disso, em uma discussão que envolve uma nova vocação econômica de potencial para o Rio Grande do Sul, que é a geração de energia renovável. A área do Albardão é a de maior potencial para instalação de parques eólicos offshore, com aerogeradores em água para geração de energia a partir do vento. Há projetos gigantes já pedindo licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com o parque criado, os equipamentos não poderão ser instalados no local.
Presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal enfatiza que o setor não é contrário ao parque em si, mas questiona a sua extensão e a categoria estabelecida. Defende que seja uma área de preservação, mas não tão restritiva.
— Estavam sendo usados estudos antigos. Vínhamos tendo uma conversa muito boa com o ICMBio apresentando dados atualizados. É possível ter um desenho que permita usar espaços que não atingirão a biodiversidade. Além disso, o monitoramento do local seria muito mais intenso — detalha.
Mas há ainda um outro impacto: nos estudos sobre a exploração de petróleo na Bacia de Pelotas, assunto que cresce com o redirecionamento dos consumidores mundiais provocado pelo conflito no Irã. Os limites do parque do Albardão ficam a poucos quilômetros da área com potencial de ter petróleo, diz a presidente do Sindienergia-RS.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: raio-x dos shoppings gaúchos, empréstimos aos pequenos negócios e voo encerrado
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)


