O crescimento de 2,3% do PIB em 2025 não é ruim, mas trouxe uma desaceleração sobre os 3,4% de 2024. Os dados do IBGE trouxeram alguns alertas que precisam de atenção para entender como começamos 2026.
A taxa de juro alta, aos 15%, foi a principal pressão sobre o consumo das famílias e os investimentos das empresas. O mercado de trabalho aquecido ajudou a manter a venda, mas foi perdendo força conforme as famílias ficavam mais endividadas. Os investimentos das empresas cresceram, mas foi em cima das importações de bens de capital beneficiadas pela queda do dólar e não pela compra destes itens produzidos aqui no Brasil. Um grande temor agora é que o conflito no Oriente Médio gere inflação, especialmente nos combustíveis, e interrompa ou desacelere os planos do Banco Central de cortar a taxa de juro Selic de uma vez.
A agropecuária realmente bombou, puxada pelas safras recordes de milho e soja. Mas este é o retrato nacional. O Rio Grande do Sul, mais uma vez, teve estiagem. A agropecuária gaúcha encolheu 6,9% e a atividade econômica do Estado calculada pelo Banco Central cresceu 1,7% em 2025, menos do que a média nacional.
E voltando aos indicadores do PIB, eles mostram perda de fôlego no último trimestre. O avanço de 0,1% sobre o terceiro trimestre é praticamente uma estagnação. Agro, serviços e consumo de governo desaceleraram bem. Indústria e investimento privado encolheram, enquanto o consumo das famílias ficou no zero a zero, sem cair ou crescer, apesar da Black Friday e do Natal.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: raio-x dos shoppings gaúchos, empréstimos aos pequenos negócios e voo encerrado
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






