A maior pressão do conflito no Irã é sobre do diesel. O combustível no Brasil já está 23% abaixo do mercado internacional nesta segunda-feira (2). Isso gera pressão sobre a Petrobras, ainda que a estatal evite fazer alterações em momentos de forte oscilação. Outros países, porém, fazem ajustes mais imediatos, como os Estados Unidos.
Lembrando que diesel tem efeito em cascata em uma economia que transporta 90% das suas cargas por caminhão, como é no Brasil. Mas a gasolina também tem reflexo. Já está 17% abaixo do Exterior, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
— Mas não acho que a Petrobras fará movimentos nos próximos dois ou três dias. Ela costuma aguardar a situação se acomodar — diz o economista da Quantitas Asset João Fernandes, que acompanha estes indicadores diariamente — Mas se entrarmos na semana que vem com estes níveis de "gap" (diferenças de preço), uma alta do diesel deve vir em torno de 10%.
Espera-se, porém, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha calculado o impacto no petróleo e não deixe atingir patamares que provoquem uma onda inflacionária mundial, pois atingiria também os norte-americanos. Como empresário e ainda que goste de ser "alavancado", Trump costuma se movimentar dentro de uma zona de segurança econômica, tanto que tem agido no sábado, quando mercados financeiros estão fechados, como nos ataques a Irã e Venezuela.
O petróleo em US$ 80 ainda é um patamar contornável, embora seja uma alta forte sobre os U$$ 60 que vinha mantendo. Se chegar a US$ 100, a coisa complica. Isso ocorreria caso o Estreito de Ormuz seja mantido fechado por meses pelo governo iraniano. É por onde passa mais de 20% da produção mundial de petróleo. As seguradoras nem querem mais dar garantia aos navios que se direcionam para o local.
Outra pressão sobre o preço dos combustíveis no Brasil vem da alta do dólar. Ainda é uma incógnita se a moeda será considerada um ativo seguro (tendência de alta) ou de risco (queda) já que os Estados Unidos estão tão operantes na guerra.
Aproveite também para assistir ao Seu Dinheiro Vale Mais, o programa de finanças pessoais de GZH. Episódio desta semana: as taxas abusivas no consignado CLT
É assinante mas ainda não recebe a carta semanal exclusiva da Giane Guerra? Clique aqui e se inscreva.
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)





