
O problema de escassez de diesel, principalmente nas lavouras, começa a chegar à gasolina. A coluna amanheceu nesta terça-feira (10) recebendo relatos de que distribuidoras estão suspendendo entrega do combustível aos postos. Em breve começará a falta na bomba ao consumidor se a situação não se resolver. Questionado, o sindicato que representa as revendas, o Sulpetro, diz que atualizará a situação ainda pela manhã com as distribuidoras, mas o presidente, João Carlos Dal'Aqua, afirma que ainda são casos pontuais e para postos que não têm convênio.
- Acho que a Petrobras vai se movimentar de alguma maneira. Ou vai importar ou vai flexibilizar preço (aumentar) para que os demais importem. Não há desabastecimento geral. As distribuidoras têm seus estoques para atender seus contratados, mas não este aumento de demanda - diz.
Esse desajuste de mercado tem origem no preço. A coluna vem avisando dos sinais desde a metade da semana passada. Distribuidoras não querem importar diesel e gasolina porque os valores estão muito acima do que os cobrados pelas refinarias da Petrobras, que sinalizou no final da semana passada que não aumentaria agora com esta volatilidade. O setor diz que a estatal está limitando a venda em cotas. Há ainda a desconfiança de que distribuidoras estão retendo carga para vender com preço maior. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) diz que pedirá esclarecimentos — mas não diz quando —, pois a produção está suficiente. A Petrobras não comenta as cotas, mas diz estar entregando o que está programado.
O preço do petróleo e do diesel disparou no mercado internacional após o fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã, por onde passa 20% da produção mundial. A situação crítica piorou com os ataques a refinarias e outras bases de produção, levando à redução da fabricação em países como Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Na madrugada de segunda-feira (9), a cotação do petróleo saltou 30%. Só acalmou quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou antes do fechamento do mercado que a guerra está "praticamente concluída". Ainda que essa afirmação vá contra as anteriores do próprio Trump, fez o preço cair ao patamar do final da semana passada, mas não afasta a tensão e a volatilidade dos próximos dias.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






