Especulações tentam projetar como o ataque ao Irã se refletirá nos indicadores econômicos quando os mercados reabrirem. Mais uma vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como empresário que é, agiu em um sábado, dando tempo para os mercados digerirem minimamente o que está ocorrendo sem solavancos. Fez isso, por exemplo, quando invadiu a Venezuela e quando aplicou tarifaços à Europa.
Petróleo tende a ter um efeito imediato. Já vinha subindo nas últimas semanas com a falta de acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã. Da casa dos US$ 60, o barril de petróleo passou de US$ 70, com aumento de 19% desde o início de 2026. Quando Rússia invadiu Ucrânia, bateu US$ 130. A conferir como começará a semana, já que foi fechado o Estreito de Ormuz, por onde passa de 20% a 25% do petróleo do mundo, que abastece, por exemplo, Índia, China e Japão. Por ali, também passa gás natural. Há receio de alta do frete marítimo.
O Irã também é produtor de petróleo, mas já foi mais representativo. Se a guerra perdurar, petrolíferas do Brasil, como Petrobras, devem ganhar espaço de mercado. Mas, de imediato, se o petróleo subir muito e sustentar a alta, os preços dos combustíveis no Brasil serão pressionados a subir, especialmente gasolina e diesel.
Em geral, conflitos geopolíticos tendem a valorizar ativos chamados de defensivos, como ouro e dólar. São mais seguros às oscilações e à volatilidade. Aumento do petróleo e do dólar traz um risco de inflação, inclusive para o Brasil. Isso pode elevar a curva de juros futuros, projetando corte menor nas taxas mundiais, até mesmo nos Estados Unidos embora creia-se que Trump tenha calculado isso.
Por aqui no Brasil, receio de inflação pode atrasar o corte do juro. A expectativa era de que iniciasse na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Alta de juro, inflação e incerteza podem abafar a escalada da bolsa de valores de São Paulo. O Ibovespa vem batendo recordes com a vinda de dinheiro estrangeiro. Mas nisso podemos ter um efeito contrário, já que o investimento tem vindo dos Estados Unidos, que agora se envolvem em mais uma guerra. Vai depender do risco que o investidor enxergará nisso.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: obra de fábrica de aviões, novo carro gaúcho e 3 mil tênis doados por calçadista
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






