Mais ataques ao Estreito de Ormuz e parada na produção de refinarias no Iraque levam o petróleo à banda dos US$ 100 o barril novamente. O Irã diz que o mundo precisa se acostumar com uma cotação de US$ 200. Ele fala o que quer sobre seu único trunfo, mas assusta. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de quem se espera um basta pela onda inflacionária do conflito, é imprevisível.
Nos Estados Unidos, o preço dos combustíveis já sobe. Aqui, ainda não estourou a coisa porque a Petrobras está segurando as pontas sem aumentar nas refinarias, mas a corda está esticando. O diesel está está 50% abaixo do Exterior e a gasolina, 28%.
Os aumentos que o consumidor vê nos postos são pequenos perto do que pode vir, principalmente no diesel. Importar combustível já está mais caro e a compra aqui está limitada, embora a Agência Nacional do Petróleo (ANP) diga que está tudo bem.
A lavoura sentiu primeiro porque fica na ponta final da fila para receber diesel e, por coincidência, o conflito pegou a colheita da principal safra do Rio Grande do Sul. Tanto que, para um ajuste emergencial, Petrobras fez ontem um leilão de diesel aqui em Canoas. Mas o preço ficou alto, quase o do mercado internacional.
A Petrobras não conseguirá segurar por muito tempo. Se aumentar, deverá ser em intensidade menor do que o Exterior. Certamente usará caixa para esperar que arrefeça o conflito no Oriente Médio. Inflação agora bagunçaria a economia brasileira e o plano da economia brasileira.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: licenciamento de fábrica de R$ 27 bi, novos voos e data center atrasado
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




