
Vai aumentar o imposto de importação e, desta vez, não é dos Estados Unidos. O governo brasileiro elevará o tributo para mais de 1,2 mil produtos, especialmente eletrônicos. Entre eles, estão celulares, televisores, computadores, freezers, máquinas, equipamentos e itens para fabricação de outros produtos. As alíquotas podem chegar a 25%, se a repercussão negativa não levar à revogação.
O argumento é proteger a indústria nacional, ou seja, empresas que fabricam estes produtos aqui. Defesa comercial e protecionismo costumam englobar medidas semelhantes, inclusive o aumento de imposto. O uso de cada expressão costuma variar conforme o prejudicado ou o beneficiado da vez.
Além disso, não é tiro no pé? Tributar insumo de tecnologia, como a usada por data centers, vai mesmo aumentar a produção nacional ou vai levar novos investimentos para outros locais? Claro que há muito uso político do fato pela oposição, mas uma exposição mais transparente da decisão poderia reduzir o ruído ou, claro, evitar uma medida equivocada.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, garante que não aumentará preços ao consumidor nem pressionará inflação. Afirma que é uma medida para corrigir distorções e que a grande maioria destes produtos comercializados no Brasil é fabricada aqui. Porém, estima-se que o incremento de arrecadação será de R$ 14 bilhões. Ora, se haverá aumento de imposto recebido, alguém vai pagar.
Pode até ser que a inflação não fique alta por isso, pois alguns fatores do momento econômico podem compensar. Entre eles, está a queda do dólar. Além disso, a sorte atual do governo federal é que combustíveis e alimentos estão com preços menores, garantindo um alívio à inflação enquanto outros preços sobem, como a conta de luz.
Celular
Será que o celular ficará mais caro? Depende. O que é fabricado e montado no Brasil não terá aumento de imposto sobre o preço final, como ocorrerá com o importado. Apple, Samsung e Motorola, por exemplo, têm unidades produtivas aqui, sejam próprias ou de parceiros. Já o Xiaomi não tem. Uma ponderação: alguns aparelhos usam peças importadas, que podem estar na lista de aumento do imposto.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
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