
A derrubada das tarifas de Trump pela Suprema Corte dos Estados Unidos já é comemorada pelos empresários gaúchos, mas com cautela. Ainda não está claro como será colocada em prática e os possíveis revezes. O que se sabe é que aplica-se ao Brasil na taxa inicial de 10% e na posterior de 40%, exceto as de alguns produtos específicos, como aço, alumínio, automóveis, autopeças e cobre.
A corte manteve decisão anterior que entendeu que o presidente Donald Trump excedeu sua autoridade ao aplicar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). O argumento de Trump era de que o país ficaria indefeso e arruinado sem o tarifaço.
Prevendo uma decisão desfavorável, Trump e sua equipe já avisavam que buscariam outras opções para manter as taxas. Ele chegou a dizer que desenvolveria um "plano B", alternativo ao uso da IEEPA. Ou seja, devem vir outros anúncios da Casa Branca — e há legislações paralelas para isso — e mesmo uma continuidade da briga na Justiça.
Mas e até lá? Está se tentando entender ainda se a suspensão será imediata. Depois, terá que se ver se pega contrato já fechado, mercadoria já embarcada, mercadoria aguardando a exportação... Afinal, o diabo mora no detalhe.
Há ainda uma expectativa de aplicar a decisão de forma retroativa. No caso, poderia se recuperar valores já pagos nas taxas gigantes cobrados pelos Estados Unidos do que foi embarcado nos últimos meses. Mas isso não será automático, será preciso ingressar com ação judicial nova e já tem empresa grande contratando advogado para pedir reembolso.
E detalhe: a ação na Justiça dos Estados Unidos foi impetrada por empresas norte-americanas e por 12 Estados. Ou seja, pessoal de lá descontente com a política comercial de Trump. Por aqui, empresários e políticos sempre diziam: "nossos maiores aliados são os importadores e consumidores norte-americanos, que não vão querer pagar mais caro pelo produto daqui." O próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em um determinado momento da discussão com Trump, baixou o tom das ameaças públicas de retaliação. O objetivo disso era não gerar rejeição de quem poderia ser aliado por lá, como os democratas no Congresso. Falando em governo federal, a orientação por aqui é seguir na negociação comercial diplomática para reverter o tarifaço, independentemente da decisão judicial que as derruba.
Exportação gaúcha
Em segundo lugar entre os destinos (atrás da China), os Estados Unidos compraram US$ 1,6 bilhão do Rio Grande do Sul em 2025 (participação de 7,7%). Houve uma queda de 10,9% sobre 2024. Mas lembremos que a sobretaxa entrou em vigor em agosto e que muitas empresas anteciparam embarques para fazer estoque. Ou seja, a queda poderia ser maior.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: obra de fábrica de aviões, novo carro gaúcho e 3 mil tênis doados por calçadista
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)


