Se a tarifa geral dos Estados Unidos sobre exportações globais ficar em 10%, será bom para os negócios do Rio Grande do Sul. Ainda que seja maior do que antes da política comercial do presidente Donald Trump, é muito menor do que os atuais 50% que a Suprema Corte norte-americana derrubou. Não inviabiliza vendas de determinados segmentos, como vinha ocorrendo, por perderem totalmente a competitividade para entrar no mercado da maior economia do mundo.
Aliás, alguns setores brasileiros se beneficiaram ainda lá no início, quando Trump colocou 10% para importações de todos os países. Isso porque eles já pagavam algo semelhante a isso por decisões pontuais, enquanto outros locais não. Ou seja, era desfavorável a determinados produtos brasileiros, que agora com os 50%, sofriam ainda mais do que outros países para os quais Trump não pesou tanto a mão.
Há sinais de que o governo norte-americano tenha que manter a tarifa em 10% apesar das bravatas do pronunciamento dessa sexta-feira (20). Primeiro, foi blefe quando ele disse que havia opções mais fortes do que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês), na qual ele baseou o tarifaço e a Justiça não comprou o argumento. Há, sim, outras alternativas, mas são mais burocráticas e nem todas permitem taxas tão elevadas como as de 50% aplicadas a Brasil e Índia e de 145% imposta à China.
Segundo ponto, Trump poderia ter imposto 15% de tarifas com o mecanismo que usou para os 10%. A Seção 122 permite o percentual maior. Mas é por 150 dias. Para continuar, precisa ser aprovada pelo Congresso, mesmo que ele diga que não é necessário. Insistir nisso o levará, novamente, à uma discussão judicial. Sim, devem seguir investigações sobre produtos e países, buscando aplicar tarifas maiores com base em outras leis, mas são processos que levam meses.
Em terceiro, o cenário político com as eleições de meio de mandato se aproximando. Os norte-americanos são pouco tolerantes a inflação, que é provocada também pelo custo maior de importação. Talvez até a opção de Trump pelos 10% em vez dos 15% tenha este pano de fundo.
É claro o descontentamento de parte dos norte-americanos com a política comercial de Trump. Lembre-se de que a ação que gerou a decisão da Corte foi impetrada por empresas e Estados de lá, não foi por estrangeiros.
O próprio Republicanos, partido de Trump, tem mostrado contrariedade com o que está ocorrendo. Integrantes do partido se uniram aos Democratas e impuseram derrota a Trump no Congresso há poucos dias, ao aprovar uma resolução para barrar o uso da IEEPA contra o Canadá. Trump pode derrubá-la, mas foi a primeira afronta pública.
Em paralelo, há uma fuga de dólares de investidores que não querem o "risco-Trump". Inclusive, eles vêm para cá, provocando os recordes do Ibovespa, o índice da bolsa de valores de São Paulo.
Exportação gaúcha
Em segundo lugar entre os destinos (atrás da China), os Estados Unidos compraram US$ 1,6 bilhão do Rio Grande do Sul em 2025 (participação de 7,7%). Houve uma queda de 10,9% sobre 2024. Mas lembremos que a sobretaxa entrou em vigor em agosto e que muitas empresas anteciparam embarques para fazer estoque. Ou seja, a queda poderia ser maior.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: obra de fábrica de aviões, novo carro gaúcho e 3 mil tênis doados por calçadista
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)

