O fim da escala 6x1 e a redução da jornada de 44 horas semanais é um debate que precisa ser encarado agora e aprimorado para trazer já compensações às consequências da mudança. É um avanço que terá custos. Sim, independente de ser um desafio para empregadores, é um avanço para o trabalhador, seja por uma lei ou pela necessidade que já leva empresas a adotarem esta escala para preencher vagas ou não perder funcionários em um cenário de baixo desemprego. Porém, terá custo financeiro. A economia conseguirá suportar ou precisará de algum ajuste para isso?
É necessário que governos — principalmente o federal, por óbvio — entrem com uma contrapartida: reduzir o custo do emprego para as empresas. O ideal é que seja algo linear, para todos, ainda que alguns segmentos e os pequenos negócios fiquem mais vulneráveis. São os que têm menos gordura financeira, funcionamento estendido e menos funcionários. Ter funcionário é caro — muito mais do que deveria pesar abrir postos de trabalho. Com esta compensação, haveria um efeito virtuoso gerado pelas mudanças. Ganhariam o trabalhador, a empresa e a economia. Aliás, as entidades empresariais, que entram agora com força no debate porque avançou a proposta no Congresso, devem puxar este ponto para o topo do discurso.
A mudança envolve inclusive a ponta das cadeias econômicas: o contribuinte e o consumidor, que somos todos nós. Aceitariam que preços eventualmente subissem já que empresas precisariam contratar mais funcionários? Ou então, o consumidor compreenderia se os estabelecimentos funcionassem menos dias na semana, programando suas compras?
Sim, também entra no debate a baixa produtividade do trabalhador brasileiro. O que significa? Que ele produz menos por hora de trabalho. É importante tratar disso, mas é algo que se muda no longo prazo, porque envolve investimentos altos e estruturais em educação e tecnologia. A mudança na jornada de trabalho exige um ajuste mais imediato — até porque, pelo seu apelo popular, está sendo acelerada pelas eleições.
Em tempo, jornada de 36 horas semanais e quatro dias por semana, como aparece em propostas no Congresso não é factível para o geral da economia brasileira. Os parlamentares precisam modular isso. O avanço para o trabalhador se perde se ele custar o emprego.
Estudo do Ipea
A redução da jornada aumentará o custo do trabalhador CLT em 7,84%, para 40 horas, ou 17,57%, no caso de 36 horas. A conta é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao próprio governo federal. O estudo considerou 31 setores nos quais mais de 90% dos trabalhadores têm jornadas acima de 40 horas semanais e para os quais sugere atenção especial no caso de ser implementada a mudança, como agropecuária, construção civil, fabricação de produtos alimentícios, comércio e setor de transporte terrestre. Por outro lado, o instituto considera que o fim da 6x1 não elevaria o desemprego, pois o impacto seria menor do que o dos aumentos do salário mínimo.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: armadilha do Master, disparada da conta de luz e súper em antiga taQi
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)


