
O impacto econômico imediato do ataque de Estados Unidos e Israel ao Irã é no petróleo, que já vinha com alguns repiques de alta pela falta de consenso para um acordo nuclear. Irã é um produtor, mas não tão relevante mais. O problema está em o governo iraniano fechar o Estreito de Ormuz, um corredor marítimo entre Irã e Omã por onde passa 25% do petróleo mundial, além de gás natural.
Todos os dias são transportados 20 milhões de barris no canal, vindos da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque. Este petróleo vai para países como Índia, China e Japão, potências econômicas mundiais. Com o ataque, empresas já suspendem viagens que passariam pelo Estreito para evitar retenção das embarcações.
Além do preço do petróleo em si, dispara o frete dos navios. Ainda que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) esteja planejando elevar produção em resposta à guerra, haveria este gargalo logístico. Por outro lado, Brasil poderia despontar como substituto deste petróleo se o conflito perdurar e crescer aqui a exploração da Margem Equatorial e da Bacia de Pelotas. Isso melhoraria as margens das empresas petrolíferas daqui, especialmente da Petrobras.
O petróleo brent, usado pela Petrobras como referência para preços nas refinarias brasileiras, está acima dos US$ 72 o barril, já com altas recentes e acumulando aumento de 19% no ano. Mas, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, chegou aos US$ 130. Na época, gasolina e diesel ficaram caríssimos no mercado brasileiro, com efeito em cascata nos preços de produtos e serviços. Ou seja, inflação no curto prazo.
Outro ponto é que guerras elevam preços de ativos que os investidores consideram seguros. O ouro já vinha subindo. O que mais preocupa é o dólar, que vinha caindo com a vinda de investimentos estrangeiros para o Brasil pelo "risco-Trump" e isso aliviava a inflação. Pode ser que suba, a depender do papel dos Estados Unidos no conflito.
Cabe lembrar que inflação alta, exige juro também alto. E isso ocorreria em um momento no qual a expectativa é para, finalmente, o Banco Central reduzir a taxa de juro Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em março.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: obra de fábrica de aviões, novo carro gaúcho e 3 mil tênis doados por calçadista
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




