
Toma forma o projeto filantrópico de R$ 400 milhões do Instituto de Tecnologia e Computação (ITEC) em Gravataí, perto da freeway. O dinheiro e o terreno doados por empresários têm o propósito de formar cientistas líderes em tecnologia. O podcast Nossa Economia, de GZH, entrevistou o diretor de Desenvolvimento e Operações, Cristiano Richter.
Não é um projeto apenas de uma instituição de ensino, certo?
É um belo desafio, talvez um sonho, um propósito de formar a nova geração de líderes de tecnologia do Brasil. Um diferencial já é ser focado em um curso apenas, que é ciência da computação. Tem a ambição de complementar o ecossistema de inovação do país. É um privilégio tê-lo em nosso Estado.
O que muda ser uma iniciativa filantrópica com dinheiro privado?
Transforma a cultura de olhar a educação. Temos quatro fundações. Uma do Cristiano Franco aqui do Estado; o Marcelo Lacerda e o Sérgio Preto, daqui também; a Fundação Teles, de São Paulo; e a Fundação Behring, do Rio de Janeiro.
Por que no Rio Grande do Sul?
O embrião nasceu há quatro anos com Cristiano Franco e engajamento dos outros. Além disso, o Estado é reconhecido como “cluster” (concentração de negócios do mesmo setor) de educação e tecnologia. Também é preciso quebrar a lógica do eixo Rio-São Paulo para olhar o Brasil como um todo. E tem o terreno doado, não é um campus urbano, mas uma área ampla para alunos terem a experiência imersiva integral com residência.
Qual a proposta pedagógica?
Saí do Interior e sempre cresci profissionalmente a partir da educação. Me arrepio ao pensar na oportunidade que estes alunos (bolsistas) terão com o ITEC. O currículo foi desenhado para um nível de excelência. A experiência imersiva vem da obrigatoriedade de morar os quatro anos no campus. Imagina a interação entre professores e alunos. Os primeiros 60 alunos que entrarem em 2027 terão bolsa integral, com moradia e alimentação. Isso faz o projeto único.
Como imaginam esses alunos no futuro?
Essa é uma pergunta de milhão, mas aspiramos grande. Imagino que terão uma jornada diversa, não só local, mas global. Podem trabalhar em uma empresa ou empreender. O meu filho pequeno já diz "Pai, eu quero estudar no ITEC". Eu achei um barato.
Como será a seleção?
Não é um vestibular, uma prova. É importante se preparar durante toda a jornada. Deve ter, desde a formação básica, predisposição para matemática, ciência, tecnologia, engenharia e artes, "áreas de Steam". Meu filho faz robótica desde o Ensino Fundamental. Alguns estudantes vão para a Olimpíada de Matemática. Essa formação cognitiva não se dá do dia para a noite e é a base da economia digital. Serão 420 alunos no campus.
Qual o impacto esperado no Rio Grande do Sul?
Tem um estudo do MIT (Massachusetts Institute of Technology) que correlaciona o impacto do talento na economia. Uma iniciativa como o ITEC pode gerar um impacto de até R$ 5 bilhões em 10 anos. E aqueles alunos que ganham a bolsa podem, no futuro, retribuir e ajudar este sistema como um todo.
Confira a entrevista em vídeo:
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)

