
Direto da Coreia do Sul, onde integra a viagem do presidente Lula, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, falou, com um otimismo cauteloso, sobre a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço.
Como foi recebida a derrubada das tarifas?
Distensiona um pouco, apesar de o tensionamento lá nos Estados Unidos seguir alto. Uma situação que não faz muito sentido. O melhor é o diálogo. Não vamos desistir dos Estados Unidos, de uma relação de 201 anos. Em março, o presidente Lula vai encontrar o presidente Trump e vai levar tranquilidade e procurar estabelecer um relacionamento sem tensão, o que é bom para os negócios. Só do Rio Grande do Sul, a Apex trabalha com 20 setores que exportam para o mercado norte-americano.
O descontentamento dos próprios norte-americanos com Trump, inclusive dos Republicanos, ajuda o Brasil?
Não, qualquer tensionamento cria instabilidade. Bom para o comércio é quando está tudo normal. Não digo que o diálogo de Trump com Lula viabilize um acordo, mas uma ação de normalidade. Os governos passam, então tem que ter um pouco de sangue frio e sermos pragmáticos. E taxar produtos gera inflação. Com café, carne, calçados e suco de laranja, o Brasil ajuda a equilibrar o consumo norte-americano. Em algum momento, o governo Trump vai entender que o Brasil é um bom parceiro comercial.
Os governos passam, então tem que ter um pouco de sangue frio e sermos pragmáticos.
JORGE VIANA
Presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos
Quem já tinha redirecionado exportação a outros países retornaria agora aos Estados Unidos?
De fato, alguns setores terão alívio agora, mas trabalhamos muito para diversificar mercado. Acho que vamos crescer as exportações mantendo os mercados novos. Por exemplo, se você pegar a castanha-do-Brasil, que era quase toda exportada para os Estados Unidos, foi para a Europa rapidamente, onde é mais difícil. Além disso, ainda há uma tensão nos Estados Unidos.
Pela missão aí na Coreia do Sul e na Índia, onde estiveram antes, quais produtos são beneficiados?
Não tem sentido ter um fluxo de apenas US$ 15 bilhões com a Índia, que é o país mais populoso do mundo. Será normal chegarmos a US$ 100 bilhões, valor que temos com Estados Unidos e Europa. Com China, temos US$ 150 bilhões. O mesmo sobre os US$ 10 bilhões com a Coreia, que tem tantos investimentos no Brasil, de LG, Samsung, Hyundai… As oportunidades são enormes para o agronegócio, biocombustíveis e fármacos. A maior indústria de cosméticos emergente do mundo é a coreana e o Brasil tem biodiversidade.
Ouça a entrevista na íntegra:
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: obra de fábrica de aviões, novo carro gaúcho e 3 mil tênis doados por calçadista
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




