
A redução da jornada de 44 horas semanais aumentará o custo do trabalhador CLT em 7,84%, para 40 horas, ou 17,57%, a 36 horas. O estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao governo federal, considerou 31 setores em que mais de 90% dos trabalhadores têm jornada acima de 40 horas semanais e para os quais sugere atenção em caso de mudança, como agropecuária, construção civil, indústria de alimentos, comércio e transporte terrestre. O Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, ouviu o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Felipe Vella Pateo.
O que entra neste custo?
Basicamente, o valor da hora de trabalho, contemplando benefícios. Se o empregador fosse contratar mais gente, o custo da folha de pagamento teria esse aumento. Claro que o vale-transporte não teria o mesmo custo proporcional, mas os demais sim.
Entendem que a economia absorveria?
Sim, porque não é um aumento de custo muito diferente dos que surgem da política de valorização real do salário mínimo. Também não está se considerando ganhos de produtividade. Quando reduz jornada, o trabalhador tem mais tempo disponível e tende a diminuir o absenteísmo, a falta por motivos de saúde.
Mas algumas empresas teriam mais dificuldade.
As menores, com menos funcionários, merecem uma atenção especial, com políticas de transição.
Quais os setores mais afetados?
Os muito intensivos em mão de obra, como vigilância e serviços de limpeza. São empresas cuja grande parte do custo operacional é a contratação dos trabalhadores. Pequeno comércio e pequenos restaurantes, por exemplo, podem ter mais dificuldade para manter os seus dias de funcionamento.
Quais seriam as compensações importantes?
O estudo não avança nisso, mas entendemos que as políticas podem envolver facilitação de jornadas parciais de trabalho (para os que seriam contratados para cobrir a escala) e de subsídio de crédito, além de escalonar as mudanças para que todos possam se adaptar de forma gradual.
O Ipea não toma decisões de políticas públicas, mas é vinculado ao governo federal, que ainda não apresentou compensações. Ele usa os estudos de vocês para essas decisões?
Como autarquia, temos autonomia técnica para a produção dos estudos e nosso papel é essa entrega do diagnóstico para atores políticos tomarem decisões e para a sociedade participar do debate. Às vezes, somos demandados a apresentar subsídios.
Ouça a entrevista na íntegra:
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)





