Não surpreende que 2025 tenha sido visto pelos pequenos empresários gaúchos como um ano melhor do que 2024, quando o Rio Grande do Sul enfrentou a enchente. Isso apareceu na 46ª edição da Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios, enviada pelo Sebrae RS à coluna. Vários empreendedores, porém, ainda sentem os efeitos da enchente. Houve os negativos óbvios, como danos físicos e financeiros. Porém, as cheias fizeram a União suspender a cobrança da dívida, o que trouxe pontos positivos à economia. O dinheiro permitiu ao Estado criar o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), cujas obras de reconstrução avançaram no ano passado.
Destaques da pesquisa:
- 47% acharam 2025 melhor, possivelmente influenciados pelas obras do Plano Rio Grande e pelo crescimento das exportações, apesar do tarifaço dos Estados Unidos, e da produção industrial, o que foi registrado pelo IBGE.
- 32% relataram que foi mais desafiador. O Sebrae avalia que são os que ainda demandavam reconstrução após a enchente e os que foram impactados pela estiagem, que diminui a atividade do agronegócio ao comércio.
- 15% conseguiram manter o patamar de operações e 6% não conseguem dizer se foi um ano melhor ou pior do que 2024.
Conjuntura
A percepção sobre 2025 foi mais positiva na indústria do que no comércio. Lembremos que o comércio foi muito estimulado em 2024 com a liberação de auxílios emergênciais pelos governos, que alavancaram consumo. No ano passado, o juro alto e o endividamento das famílias encolheu as compras. Estes são pontos para os quais a coluna alertou ao longo de todo o ano passado e que apareceram nas respostas dos entrevistados quando o Sebrae perguntou as dificuldades do ano. As mais citadas giram em torno de redução do poder de compra do cliente, inflação de custos, crédito caro e restrito, além da falta de mão de obra.
Crédito
Boa parte dos negócios, especialmente os pequenos, precisa de crédito. Pela pesquisa, 40% buscaram empréstimos em 2025, principalmente em linhas emergenciais. Os principais bancos acessados: Sicredi (51%), Banco do Brasil (13%), Sicoob (12%), Caixa Econômica Federal (11%), Itaú (10%), Banrisul (8%) e Bradesco (8%). A maior parte do valor foi para pagar dívidas. Agora para este ano, 36% pretendem buscar financiamento, mas querem usar o dinheiro principalmente para capital de giro e compra de equipamentos.
E 2026?
Há otimismo para o ano, que terá de eleição a corte no juro. Seis em cada 10 pequenos empresários planejam expandir o negócios. Apenas 9% vão reduzi-lo ou encerrá-lo. Dos entrevistados, 45% querem aumentar o quadro de funcionários e ainda há 23% que pensam em abrir um novo negócio. Sete em cada 10 pretendem investir, principalmente em marketing, novos produtos e máquinas.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: armadilha do Master, disparada da conta de luz e súper em antiga taQi
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)





