
Saindo da recuperação judicial, a Azul já aumentou em 20% os voos no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Isso reduziu preços de passagens, avisou o gerente de Aviação Comercial da Fraport Brasil, Pedro Navega, em entrevista ao podcast Nossa Economia, de GZH. Ele também detalhou o potencial de novas rotas para o Estado e como é essa negociação com as companhias aéreas.
Como conquistar novas rotas?
Falando de toda a indústria e não só do ponto de vista do aeroporto, precisamos ter o casamento de algumas circunstâncias. A primeira é demanda, com o passageiro disposto a viajar e a pagar certo preço pela passagem, combinada ao momento em que as companhias estão mais suscetíveis à rota. Se queremos o voo Porto Alegre-Roma, não adianta a American Airlines estar disposta a investir aqui ou lá. Precisamos de uma empresa aérea brasileira ou italiana. É um cenário complicado, pois as companhias ainda estão se reconstruindo da pandemia. Três passaram por recuperação judicial e agora, com cenário de crescimento, brigam por aeronaves para fazer esse tipo de voo. Então, montam estratégias para aproveitar o avião, com paradas em alguns lugares. Para os Estados Unidos e Europa, as rotas passam por cima de hubs, como São Paulo.

E tem que trazer o pessoal de lá.
Sim, para encher o avião, precisa ter passageiro no sentido contrário. Ainda não temos europeu vindo para o Brasil no mesmo nível. Quando ele pensa no Brasil, é o destino de praia e sol. Temos que vender um produto diferenciado. Algumas companhias aéreas entram neste assunto com profundidade, porque isso é demanda. O Rio Grande do Sul sempre vendeu bem o inverno da Europa brasileira. Para o mercado doméstico, é o carro-chefe, sem dúvida. Trabalhamos para que se fortaleçam produtos diferentes, como a nossa Semana Farroupilha e todo o mês de setembro, e os cânions, que são o ecoturismo para o aventureiro europeu. As pedras de Ametista também são muito chamativas, as Missões Jesuíticas e o turismo religioso de Encantado. São produtos que precisam ser levados com a maturidade da nossa “Europa brasileira”.
E da América do Sul?
Rotas com bastante potencial são Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru. Vemos argentinos não só passando pelo Estado, mas ficando na Serra. Não vai ser nosso vinho que vai chamar, mas um vinho diferente que complemente uma experiência, um entretenimento.
Após retomar o movimento pré-enchente, quais as novidades?
Recuperamos o volume, mas ainda temos que recuperar alguns destinos. Agora, a Azul saiu da recuperação judicial e, nesta semana, já tivemos um incremento de mais de 20% nos voos semanais aqui de Porto Alegre para destinos já existentes.
Uma dica: como você tem um aumento de oferta instantâneo, é um ótimo momento para comprar passagem.
PEDRO NAVEGA
Gerente de Aviação Comercial da Fraport Brasil
Quais?
Principalmente para onde tinha mais demanda, como Curitiba (PR) e Galeão (RJ), além de aeroportos de São Paulo. Na prática para o consumidor, é passagem barata sendo vendida agora. Uma dica: como você tem um aumento de oferta instantâneo, é um ótimo momento para comprar passagem. Ainda há outros crescimentos para ocorrerem. Acompanhamos os movimentos da empresa para estarmos no lugar certo na hora certa e ajudarmos a trazer rotas saudáveis.
E internacional?
Teremos uma novidade para a metade do ano para um destino próximo, mas ainda estamos negociando. Essa construção nunca é rápida.
Ouça também no Spotify:
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: obra de fábrica de aviões, novo carro gaúcho e 3 mil tênis doados por calçadista
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




