Uma das maiores pressões sobre a inflação de 2025, a conta de luz não promete trégua para 2026. Na média, é esperada alta de 7,64%, segundo a consultoria Thymos, o que é quase o dobro da inflação projetada para o ano. Os motivos apontados pela empresa: custos de geração, volume de perdas com furtos e subsídios do setor.
O aumento no segundo semestre do ano passado da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo setorial que custeia subsídios e políticas públicas, ainda se refletirá em reajustes tarifários ao longo dos próximos meses. Foi a ele, por exemplo, que a CEEE Equatorial atribuiu a alta de 20% que entrou em vigor em novembro e fez Porto Alegre ter a maior inflação do país.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informa que a CDE deve alcançar R$ 52,7 bilhões em 2026, após um aumento já forte no ano passado. Do total previsto, R$ 47,8 bilhões devem ser pagos pelos consumidores via encargos. Boa parte é para bancar a ampliação da tarifa social e quem contrata energia de fontes incentivadas.
A despeito do avanço dos subsídios, deve ficar para 2027 alívio esperado das mudanças estruturais aprovadas na minirreforma do setor elétrico aprovada em 2025. Vários pontos ainda precisam de regulamentação.
Até lá, consumidores de alta tensão sentirão mais do que os residenciais. Lembre-se, porém, que a energia tem efeito em cascata na inflação, sendo repassada nas cadeias econômicas para os preços de produtos e serviços até chegar ao consumidor final.
Modernização
Em paralelo, foi colocada em consulta pública a proposta da Aneel para modernizar a tarifa de energia, que ganhou apoio do governo federal. A ideia é fazer com que mais consumidores tenham acesso a preços diferentes ao longo dia conforme o horário de consumo. Os valores mais baixos seriam em momentos de alta geração.
Hoje é um problema do setor elétrico gerar muita energia — especialmente, renovável — quando não há consumo. Sem poder armazená-la, precisou cortar esta geração, o que, inclusive, exigirá ressarcimento de usinas que foram desligadas. O curtailment virou um problema crônico de desperdício. Em 2025, o Brasil perdeu 26% da geração solar e 19% da geração eólica, prejuízo de R$ 7 bilhões.
Leilão de baterias
Já o leilão de baterias está para ser realizado ainda no primeiro semestre. Ainda que demore para os equipamentos operarem, é crucial para ultrapassar entraves na geração de energia limpa, podendo armazená-la e tendo mais gerência sobre seu uso.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, já comentou que deverá ter critérios para garantir conteúdo local. Líderes globais na produção de baterias, empresas chinesas competirão com Tesla, Petrobras e Axia (ex-Eletrobras), consideradas as principais candidatas.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: armadilha do Master, disparada da conta de luz e súper em antiga taQi
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



