
O termo de compromisso assinado pelo governo do Espírito Santo com a chinesa Great Wall Motors (GWM) joga um balde de água fria no Rio Grande do Sul. O governo gaúcho negociava há meses com a montadora para conquistar a fábrica, disputada também pelo Paraná. Executivos chegaram a vir mais de uma vez a Rio Grande, recebidos pela prefeitura e outras autoridades. Era a cidade com maior potencial de conquistar o investimento, que movimentará US$ 1,1 bilhão e 10 mil empregos. Seria uma guinada incrível em uma região que ainda sofre com a crise do polo naval.
O Espírito Santo é bem agressivo na sua política de incentivos e na sua estrutura logística. A GWM já importa veículos pelo porto de Vitória, mas os capixabas, como a coluna acompanha há anos, têm muito sangue no olho. Já levaram até empresas gaúchas bem instaladas aqui. O anúncio da GWM foi feito em vídeo (veja no final da coluna) pelo governador, Renato Casagrande, e pelo vice-governador, Ricardo Ferraço, bem animados, claro.
Forte no segmento de elétricos, a montadora começou em 2025 a produzir na sua primeira fábrica no Brasil, em Iracemápolis (SP). Quando a inaugurou, já avisou que em breve teria mais uma operação.
Presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki afirma que Estado ainda tentará outros projetos da empresa. Já o secretário Municipal de Desenvolvimento, Inovação e Economia do Mar, Vitor Magalhães diz "estar de luto".
— Nos esforçamos bastante, mas claramente não foi suficiente. Agora é levar como aprendizado para melhorar para as próximas, talvez mudando de postura — acrescenta Magalhães, pragmático.
O vídeo do anúncio do Espírito Santo:
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: maiores PIBs gaúchos, expansão de fábrica de cacetinhos e R$ 770 milhões em trens
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



