
A jornalista Isadora Terra colabora com a colunista Giane Guerra, titular deste espaço.
Foi deferida pela Vara Empresarial de Porto Alegre, a decisão que suspende o leilão do Estádio do Cruzeiro, em Cachoeirinha. O certame estava programado para 10 de fevereiro, com lance inicial de R$ 15,8 milhões. Caso não houvesse interessados, ocorreria uma segunda etapa, com lance mínimo de R$ 7,9 milhões.
Além da Arena do Cruzeiro, também seriam leiloados dois terrenos ao lado do estádio, no bairro Águas Mortas, em Cachoeirinha. Ambos foram avaliados em R$ 435 mil.
Conforme o documento de despacho, o clube apontou passivo superior a R$ 9 milhões e sustentou que o leilão da Arena Cruzeiro, somado a bloqueios judiciais, compromete a continuidade das atividades. A Justiça determinou a suspensão de todas as execuções pelo prazo de 60 dias e a abertura de negociações com credores. Uma mediação já foi instaurada no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania.
— O clube tem intenção de negociar com seus credores, mas para isso precisa se manter na posse da área, enquanto as negociações tramitam — afirmou Mateus Portal, advogado que assessora o Cruzeiro.
No ano passado, o Cruzeiro já havia obtido a suspensão de um leilão agendado para junho. Inicialmente, o estádio foi a leilão em função de ações movidas por credores, como ex-jogadores e a Fazenda Nacional, em execuções fiscais.
— O clube entende que a área era avaliada em R$ 37 milhões, e não 15, como estava sendo feito no processo — pontuou Portal.
O clube saudou a medida em nota oficial na tarde desta quarta (28). "A medida de tutela antecedente concedida pela Justiça é temporária e tem um único objetivo: permitir que o Cruzeiro negocie suas dívidas de forma organizada, transparente e justa, garantindo que todas as contas sejam pagas dentro de um plano responsável e possível", afirma o texto.
O Cruzeiro afirma que está se reorganizando administrativamente e que, apesar do momento financeiro difícil, a interrupção do leilão não representa "fuga de compromissos" com os credores.
"Pelo contrário. Representa o compromisso firme de moralizar a gestão, interromper o ciclo de improviso, evitar a perda irreversível de bens históricos, e assegurar que credores, funcionários, atletas e a própria comunidade sejam respeitados", diz a nota.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



