Os gaúchos fecharam 2025 com 29,5% da renda comprometido com dívidas, ou seja, quase um terço. Não chega a ser um superendividamento, mas preocupa. Um ponto é que o indicador vem subindo há 14 meses consecutivos no monitoramento da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), atingindo o maior patamar desde outubro de 2019.
Outro ponto é que a pesquisa considera dívidas ligadas à tomada de crédito, como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos. Ou seja, ainda há outra parte da renda que vai para contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia.
Quanto sobra para os demais gastos e para imprevistos? Esse estrangulamento também aumenta o risco de inadimplência e limita a capacidade de consumo.
"Esse quadro reflete, sobretudo, o ambiente de política monetária contracionista, com juros elevados e crédito mais restritivo, que amplia o custo do endividamento. Mesmo em um contexto de mercado de trabalho aquecido, com salários reais em níveis historicamente elevados, e de inflação de alimentos mais benigna — com itens relevantes da cesta básica, como arroz e leite, em queda —, o peso crescente do crédito limita uma melhora mais consistente da situação financeira das famílias.", diz análise da Fecomércio-RS.
A pesquisa de dezembro apontou 85% das famílias estavam endividadas. Com contas em atraso, eram 25,4%. Cartão de crédito voltou a ser a principal origem das dívidas, mencionado por 56,8% dos endividados. Na sequência, aparecem carnês (52%), financiamento de carro (8,8%), financiamento habitacional (5,9%), crédito pessoal (5,3%) e consignado (2,8%).
Relembre entrevista recente da economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo: As causas e as consequências da alta no endividamento dos gaúchos
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