
Ninguém entendeu ainda como funcionaria a tarifa anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sua rede social contra quem fizer negócios com o Irã. Ele apenas colocou que seria de 25%, imediata e sobre qualquer negócio com o mercado norte-americano, sem detalhar. Casa Branca segue em silêncio, o que indica que a coisa não estava bem combinada. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil também não tem ideia de como seria aplicada.
Não se sabe se é um piso ou se é uma taxa extra. Se for um piso, não atingiria quem paga mais do que isso, como o Brasil. Já se for extra, seria somada ao que já se paga, que é de 50% sobre muitos produtos brasileiros. Elevaria a um patamar que inviabilizaria a compra por norte-americanos porque o item ficaria muito caro.
Embora seja complicado fazer mais uma cessão à Trump, perder mercado do Irã não é tão relevante em termos gerais de exportação gaúcha. Em 2025, o Rio Grande do Sul embarcou US$ 163,9 milhões ao país, que é o 27º no ranking de destinos. O Irã compra apenas 0,8% do que o Estado vende ao Exterior. Entre os produtos, destaque para resíduos de indústrias de alimentos, grãos, cereais e um pouco de tabaco/fumo.
Vice-presidente de Comércio Exterior da Federasul, Rodrigo Velho também pondera que já existem há algum tempo sanções dos Estados Unidos a empresas que exportam ao Irã. As norte-americanas que atuam no Brasil (ou em outros países) já têm bem mais restrições, mas até as empresas nacionais também correm risco de perder contratos com empresas e governos dos Estados Unidos se negociarem com iranianos.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: maiores PIBs gaúchos, expansão de fábrica de cacetinhos e R$ 770 milhões em trens
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






