
As vendas da Black Friday de 2025 frustraram os lojistas de Porto Alegre, que chegaram a ficar com a expectativa alta após a pesquisa de intenção de compras que os consumidores tinham para a liquidação. Pela sondagem feita pelo Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas POA) após a data, a maioria (48%) disse que vendeu menos do que no ano passado, enquanto 33% faturou o mesmo. Apenas 19% tiveram crescimento. Estes resultados foram piores do que os da Black Friday de 2024.
"O resultado configura uma retração. A queda não se deve à falta de desejo do consumidor (que tinha alta intenção de compra), mas sim a uma 'fricção financeira'. O cenário macroeconômico, com a Selic a 15% e inadimplência recorde, bloqueou a capacidade de conversão da venda. O consumidor queria comprar, mas foi barrado pela falta de limite de crédito ou pelo custo do dinheiro. Além disso, parte da fatia da expectativa fica com o ambiente online, com preços mais agressivos.", detalha a análise da entidade enviada à coluna.
A expectativa para a data não foi atingida para 51% dos comerciantes. O gasto médio por cliente subiu um pouco neste ano para R$ 1.083, contra R$ 1.052. Fica acima do projetado para o Natal de 2025: R$ 1.023.
As vendas parceladas no cartão de crédito ainda lideram, mas perderam espaço para a compra à vista. O Sindilojas reforça a análise de que há dificuldade de crédito. Por fim, máquina de lavar roupa, camiseta e sofá lideraram as vendas nos seus respectivos segmentos.
Pouca canibalização
A boa notícia é que a venda da Black Friday não deve comprometer a que ainda será feita para o Papai Noel. Sete em cada 10 lojistas disseram que a liquidação não prejudicou o Natal do ano passado e a mesma quantidade acredita que isso não ocorrerá agora em 2025 também.
Para o Sindilojas, as datas acabam cumprindo funções distintas, com produtos diferentes. Uma máquina de lavar e um sofá não são presentes típicos de Natal.
"A Black Friday consolidou-se para bens duráveis e de uso próprio (técnicos/racionais), enquanto o Natal permanece reservado para presentes afetivos e de menor ticket. A 'canibalização' é baixa."
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



