
Uma das coisas mais certas desta vida é que o Rio Grande do Sul continuará enfrentando estiagens. O que pode mudar é o impacto disso no agronegócio, caso, finalmente, avance a irrigação.
Cálculo do ex-secretário estadual da Fazenda Aod Cunha, apresentado pelo economista-chefe Antônio da Luz no balanço da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), dá dimensão do impacto na economia. Se não sofrêssemos os prejuízos de secas entre 2010 e 2023, o PIB gaúcho teria crescido 39,66%, mas avançou apenas 24,21% no período. Com isso, ficou abaixo do Brasil (31,3%), do Paraná (39,92%) e bem longe de Santa Catarina (59,35%).
— E é uma conta conservadora porque sequer igualo com o PIB do Brasil no ano de seca, apenas elimino a parte negativa. E mais: se eu usasse um período mais longo na análise, a perda seria brutal — complementa Aod Cunha.
Aparentemente, resolveram-se as questões ambientais que o setor apontava como entraves para reservar água na propriedade para irrigação. Mas, pelo que a coluna ouve diretamente de produtores rurais, as entidades terão agora que sensibilizar o pessoal do campo de que este investimento é uma prioridade, além, claro, de estimular a organização financeira para que se possa fazê-lo, em um cenário no qual o endividamento é alto.

O boom catarinense
Em paralelo, o crescimento catarinense chama a atenção. Pelo monitoramento do economista Aod Cunha, o avanço forte veio basicamente do crescimento populacional, pois a renda per capita ficou estável.
— A população de Santa Catarina cresceu 21% entre 2010 e 2022, enquanto avançou apenas 1,8% no Rio Grande do Sul. Ou seja, sem seca ou com irrigação em larga escala, não só o PIB, mas também a renda per capita gaúcha teria crescido muito mais — acrescenta.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




