
Como sinalizou ao programa Acerto de Contas, da Rádio Gaúcha, o prefeito Nestor Tissot tende a prorrogar nesta terça-feira (16), por mais 180 dias, a suspensão de protocolo de novos projetos para construção de restaurantes e hotéis em Gramado. A "moratória" iniciada em julho terminaria agora em dezembro.
Lembrando que o prefeito Nestor Tissot chegou a cogitar à coluna a proibição em definitivo ("Talvez se proíba em definitivo", diz prefeito sobre suspensão de novos hotéis e restaurantes no centro de Gramado). Agora, explica que a ideia é incentivar investimentos no interior da cidade, onde já está se colocando asfalto, ou mesmo em outros bairros, mas fora do Centro.
— São localidades muito lindas, com história. A região central já tem locais impossíveis de receber novos investimentos. Na liberação de obras, certamente teremos restrições mais rígidas — antecipa Tissot.
A ampliação do prazo foi solicitada ainda no final de novembro pelo Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias (Sindtur Serra Gaúcha). O presidente da entidade, Claudio Souza, alegou ser preciso mais tempo para finalizar os estudos que verificam os seguintes pontos:
- Conter temporariamente a expansão acelerada do setor hoteleiro, que vinha superando a capacidade de análise e de resposta da estrutura urbana;
- Permitir a realização de estudos técnicos sobre mobilidade, impacto ambiental, infraestrutura e capacidade de carga turística;
- Favorecer a revisão dos instrumentos de planejamento urbano, como o Plano Diretor e legislações complementares;
- Equilibrar o ritmo de crescimento diante da abertura contínua de novas unidades habitacionais, muitas vezes descoladas da realidade operacional dos empreendimentos existentes;
- Evitar distorções no mercado, protegendo a competitividade dos estabelecimentos já consolidados e os milhares de empregos diretos e indiretos gerados pelo setor.
— Precisamos de mais, no mínimo, 180 dias para concluir os levantamentos técnicos e amadurecer as diretrizes urbanísticas e turísticas. Não é para frear desenvolvimento, mas sim assegurar que ocorra de forma equilibrada e sustentável, preservando a qualidade de vida da comunidade e Gramado como referência nacional do turismo — detalha o presidente do Sindtur.
O documento enfatiza que o prazo extra é necessário para:
- Consolidar análises sobre infraestrutura pública e capacidade de atendimento;
- Aprofundar estudos de impacto viário e de uso do solo;
- Permitir que o município avalie com segurança o real comportamento da demanda turística;
- Garantir que a expansão do parque hoteleiro seja compatível com a infraestrutura instalada, evitando sobrecarga dos serviços e preservando a qualidade da experiência turística.
A cidade já tem 216 hotéis, que somam 24,7 mil leitos. Estão em construção 13 projetos com 9,9 mil leitos e outros 33 estão em análise. O entendimento de quem apoia a decisão é de que não há estrutura nem cliente para tanto. Na gastronomia, são 318 restaurantes, com 26 mil cadeiras, enquanto tramitam 43 pedidos de alvarás.
No caso de hotéis, a suspensão valeu para toda a cidade e a exceção são pequenas hospedagens de até 20 leitos, cujas propostas seguiram sendo recebidas. Já para restaurantes, a restrição foi para projetos com mais de 20 cadeiras para o centro da cidade. Segue autorizada a troca de CNPJ de restaurantes se ocorrer venda. Não parou obra em andamento nem tramitação do que já havia sido recebido pela prefeitura. Problemas no trânsito e de infraestrutura de saúde pública e saneamento, além da queda da taxa de ocupação (de 56% a 45% em quatro anos), são citados como argumento nos decretos.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: futuro da Tumelero com novo dono, falências sobem e leilão de estádio de futebol
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



