
Mais um problema com o Agibank apontado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O órgão suspendeu, por tempo indeterminado, novos empréstimos consignados do banco, a partir de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) que identificou irregularidades e práticas lesivas a aposentados e pensionistas. O caso já foi encaminhado a Polícia Federal e Corregedoria do INSS.
Foram constatados contratos averbados sem consentimento expresso dos beneficiários. Além disso, o INSS diz haver "irregularidades em milhares de operações" e apontou as "mais graves":
• Contratos Pós-óbito: 1.192 assinados após a data de morte dos beneficiários, entre 2023 e 2025, sendo que 163 já tinham benefícios cessados no sistema do INSS.
• Refinanciamento fraudulento: Em um caso concreto envolvendo um beneficiário em Fortaleza (CE), foi identificado um refinanciamento de dívidas não solicitado e não autorizado em 07 de novembro de 2025, que incluiu sete contratos, sendo que três deles eram inexistentes nos sistemas do INSS e adicionaram R$ 17.073,94 ao saldo remanescente. O troco registrado no sistema era próximo do valor da fraude (R$ 17.135,18) e não foi depositado ao beneficiário.
• Padrão de irregularidade: Foi apurado que o Agibank realizou operações de refinanciamento com taxas de juros muito abaixo do teto de 1,85% ao mês. Parece bom, mas, como não condiz com a realidade de mercado, indicou à CGU que poderia ser para evitar alertas em controles.
Por nota, o Agibank negou as irregularidades. Disse que "todos os contratos seguem protocolos rigorosos de segurança, como biometria facial, validação documental e cruzamento de dados em bases oficiais". Solicitou acesso aos autos do INSS e, se houver problemas, promete tomar providências e ressarcir clientes e instituto.
Caso anterior
Em agosto, o INSS já havia bloqueado contrato com o Agibank, quando apontou reclamações de que o aplicativo do banco no celular do usuário puxava chamadas telefônicas que seriam para a Central 135, da Previdência Social. Isso impedia acesso a informações de benefícios, registro de problemas e até o ressarcimento dos descontos da fraude que veio à tona neste ano. Também eram investigadas retenção de valores e negativas para pedidos de portabilidade, quando se tenta transferir para outro banco. E uma constatação que houve, segundo o INSS, foi de que aposentados e pensionistas foram convocados às lojas do Agibank, sob o pretexto de tratar de descontos ilegais e “receber seu dinheiro de volta”, procedimento que não é necessário, pois o atendimento é feito no aplicativo Meu INSS ou nos Correios, com pagamento direto na conta do usuário. Após a assinatura de um termo de compromisso, os novos pagamentos foram desbloqueados: Os compromissos assumidos pelo Agibank para INSS liberar banco a pagar novas aposentadorias
O Agibank foi criado no Rio Grande do Sul, na época como Agiplan. Cresceu bastante e, em 2020, teve sua sede transferida para Campinas (SP) com investimento de R$ 20 milhões. Pouco antes, o Agibank havia recebido um aporte de R$ 400 milhões da Vinci Partners.
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