
Esperado para esta semana o avanço na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) da proposta para diferenciar a tarifa ao longo do dia conforme os horários de consumo e de geração. O relator, diretor Fernando Mosna, precisa entregar o processo à diretoria para que se abra uma consulta pública. A medida é focada em baixa tensão com consumo mais elevado (acima de 1.000 KWh/mês), como comércios ou residências maiores, que somam 2,5 milhões de unidades no país e respondem por 25% deste grupo.
As tarifas ficariam menores em parte da manhã e início da tarde, entre 10h e 14h, quando há mais energia solar e eólica, baixando o custo de geração. Por outro lado, a conta de luz pesaria mais para quem consome em horários de pico, como final de tarde (entre 18h e 21h), quando a demanda aumenta e a geração cai com o pôr do sol, exigindo fontes mais caras, como a das termelétricas.
Até existe, desde 2018, o mecanismo chamado tarifa branca. Porém, a adesão é opcional e tem sido baixa por consumidores menores. A ideia agora é de que seja automática, tornando-se padrão, ainda que não obrigatória. A Tarifa Horária sendo informada na conta de luz visa incentivar que atividades de alto consumo — como uso de máquinas industriais, bombas de piscina, carregamento de veículos elétricos e ar condicionado — sejam deslocadas para os horários em que a tarifa será menor. A Aneel já até consultou a indústria de eletrodomésticos, que sinalizou a possibilidade de fazer produtos "inteligentes" a ponto de serem configurados para consumo no horário de preço menor.
Na média e na alta tensão (grupo de consumidores que possui seu próprio transformador), todas as indústrias, comércios e prédios públicos já são faturados com tarifárias horárias. Não há mais as convencionais.
A ideia é que a implementação ocorra já em 2026. As distribuidoras ficariam responsáveis por trocar os medidores dos consumidores. É uma das medidas para resolver o problema do sistema elétrico, que tem precisado até cortar geração de energia renovável em horários de alta produção e baixo consumo.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






