
A reposição do que está sendo retirado pela concessionária Rumo das ferrovias do Rio Grande do Sul dependerá de quando e do que vai decidir o Ministério dos Transportes, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Por meio de uma nota enviada após questionamento da coluna, a agência reguladora afirmou que há a obrigação de reposição, mas somente quando o governo federal definir quais linhas continuarão operacionais.
No texto, o órgão disse que a Rumo está informando as transferência de materiais, enfatizando que é dentro da “própria malha para otimizar trechos que continuam com transporte.” A coluna noticiou na semana passada que a concessionária está levando trilhos e máquinas para outros Estados, como Santa Catarina. A informação tem gerado indignação, mas ainda nada muito concreto por parte de autoridades e entidades do Rio Grande do Sul. As ferrovias estão sucateadas há décadas. Após a enchente, restou em funcionamento o trecho entre Cruz Alta e Rio Grande.
“A solução das ferrovias gaúchas, como de toda a malha Sul, depende de definição de política pública a cargo do Ministério dos Transportes, após encerramento do grupo de trabalho criado para discussão do futuro da concessão.”, diz a ANTT.
Lembrando que, na semana passada, em uma pequena nota, a Rumo disse que "a realocação de trilhos e outros materiais faz parte de um processo de remanejamento para pontos da malha sul que seguem em operação."
O governo federal analisa renovar a concessão, que termina em 2027, ou fazer novo leilão, dividindo em trechos. O governo gaúcho não quer, mas não tem muita influência na decisão de Brasília. O governador Eduardo Leite queria usar a indenização devida pela Rumo por não fazer investimentos para atrair uma nova empresa.
Pauta de discussão
Na Assembleia Legislativa, foi aprovada a criação da comissão que havia sido proposta pelo deputado Tiago Cadó (PDT). Todos os 47 deputados votaram a favor. Agora vem uma parte mais burocrática de instalação e preparação de plano de trabalho. Para depois, há a intenção de fazer audiências públicas em cidades que movimentam cargas do Mercosul e para exportação. Governo gaúcho e entidades empresariais serão chamados. A coluna provocou a convocarem também o governo federal, que, afinal, é quem decide.
Tá na Mesa
Exposição do drama ferroviário do Estado vai ocorrer também no Tá na Mesa da Federasul, organizado pelo vice-presidente da entidade, Rafael Goelzer, para o dia 3 de dezembro. Interessante que reunirá empresários e trabalhadores pela mesma bandeira. Isso porque vai participar o presidente do Sindicato dos Ferroviários do Rio Grande do Sul (Sindifergs), João Calegari, que é quem mais tem informações sobre o assunto e teme que a Rumo resolva levar daqui também os 700 vagões que estão parados enquanto as ferrovias não são consertadas.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: falência de ervateira, novo comando da CDL e farmácias versus supermercados
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




