Desde o início da política comercial de Donald Trump, os economistas brasileiros apontavam que o melhor amigo dos exportadores daqui seria o consumidor norte-americano. Isso porque ele não toleraria um impacto grande no bolso apenas para abraçar o discurso de que "a América será grande de novo", uma alusão ao slogan do presidente dos Estados Unidos: "Make America Great Again".
No geral, a inflação norte-americana não disparou como chegou a se prever, o que até atrapalharia a redução da taxa de juro pelo Federal Reserve (FED, banco central norte-americano). Porém, pegou a mesa do consumidor e aí é um toque para abalar a popularidade de Trump, que ganhou um "bafo na nuca".
Por isso que as reduções de tarifas de agora são de alimentos, como carne e café. Já imaginou o norte-americano cortando estes dois itens da lista de supermercado? Os beneficiados incluem frutas e até tapioca e sementes de coentro e cominho.
Porém, pouco alivia as exportações do Sul, incluindo Rio Grande do Sul. Ainda nenhuma entidade empresarial calculou o reflexo exato, considerando as rubricas da lista, mas os gaúchos vendem mais fumo, máquinas e móveis. E isso, Trump quer que seja fabricado lá, gerando empregos e impostos nos Estados Unidos. O maior amigo do exportador do Sul, na verdade, é o importador. Este ainda não abalou Trump.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: falência de ervateira, novo comando da CDL e farmácias versus supermercados
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




