
Nada é mais importante na economia de um país do que a segurança no sistema financeiro e o Banco Master era um atentado a isso. Cresceu em poucos anos de forma acelerada, captando recursos prometendo juros bem acima do mercado (inclusive os básicos CDBs para pessoas físicas) e comprando ativos com problemas, como empresas com dificuldades financeiros. Seus produtos estavam à venda em diversas plataformas de corretoras com suas taxas atrativas a investidores que não acompanham a solidez de quem compram.
Não daria boa coisa. Mas o CEO Daniel Vorcaro, preso agora pela Polícia Federal, é muito bem relacionado, com políticos e outros empresários. Então, a situação se arrasta e demora a devassa, que está ocorrendo finalmente.
A liquidação pelo Banco Central e a operação de prisão certamente estão vinculadas à nova proposta de venda do Master. Agora, foi ao banco Fictor, tão desconhecido quanto a sua viabilidade financeira. Mas já teve a proposta de venda ao Banco de Brasília (BRD), do governo do Distrito Federal, que foi vetada pelo Banco Central.
O diretor da autoridade monetária, Renato Gomes, tem sido o que mais se opõe a movimentações do Master. Tanto que Vorcaro já tentou atingi-lo e, agora, contava as horas para que saísse do Banco Central.
Além das operações arriscadas, uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou suspeita de crimes financeiros na gestão do Master. Investimentos milionários fraudulentos inflaram o patrimônio da instituição e permitiram o aporte de recursos até em empresas vinculadas à irmã de Vorcaro.
Importante agora que o Banco Central deixe claro o impacto do Master no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), "bancado por bancos". Este recurso cobre aplicações financeiras em instituições, até R$ 250 mil por CPF. Acredita-se que a autoridade monetária agiu antes de gerar um risco sistêmico.
Nenhuma instituição financeira - boa ou ruim - atua sozinha. Suas operações estão vinculadas às demais. Por isso, a regulação e a fiscalização de órgãos, como Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: falência de ervateira, novo comando da CDL e farmácias versus supermercados
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






