Paulo Arara tem 70 anos e mora na floresta amazônica, onde cultiva ervas e recebe turistas para banhos de cheiro e na água fresca do igarapé que mandou fazer com madeiras para represar parte de um córrego. Dos visitantes, cobra pelo ritual e por garrafinhas de mel e dezenas de ervas. Entram no pacote de hospitalidade o café e as frutas, como pupunha, caju e cupuaçu. Também está inclusa a uma hora de prosa, desfrutada por mim e pelas minhas colegas do Gaúcha Atualidade, que está sendo apresentado nesta segunda e terça-feira aqui da COP30, em Belém (PA).
Outra parte da sua renda vem da venda das ervas uma vez por semana no Ver-o-Peso, mercado a céu aberto na Capital. Aprendeu a cultivar, misturar e macerar as plantas cheirosas com seus pais e avós, a quem observava na feira para também saber como comercializá-las.
Mas a virada de chave foi a parceria com a Natura, empresa brasileira de produtos de beleza conhecida pela sua valorização da biodiversidade. Conheceram o erveiro há 24 anos no Ver-o-Peso. Arara os levou para Boa Vista do Acará, foram feitas pesquisas, lançados produtos com as plantas locais, como a raiz de priprioca, e até foi criada uma associação para fornecer toneladas de plantas por ano à Natura e receber o pagamento. Foi uma nova economia que fez crescer a comunidade.
— Somos 48 na associação. A empresa é muito boa para nós. Fazemos muitos cursos, ganhamos produtos e uma participação em cada produto vendido — diz o erveiro, que mostra com orgulho os perfumes feitos com as ervas da floresta.
Arara prefere ir a Belém, onde chega em meia hora de barco, do que ao centro de Acará, para onde leva duas horas de carro e sai caro. A eletricidade, que chegou há duas décadas, permitiu ter geladeira para guardar comida, pois antes precisava comprar gelo. Agora abriu um mercadinho na ilha, o que facilitou bastante. Diz que o atendimento pelo SUS demora demais, então prefere pagar uma consulta que outra na Capital.
— Nasci aqui e só saio quando morrer — é taxativo.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: atacarejo em antigo Nacional, R$ 228 milhões em subestação e largada da obra do Itec
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)


