Ainda que já fosse esperado, o corte no preço da gasolina pela Petrobras ativou as revisões na projeção para a inflação. A redução é de R$ 0,14 (-4,9%) no combustível vendido pela refinaria às distribuidoras, que tem ainda outras cobranças, como a mistura de etanol. A Fundação Getulio Vargas estima em 2,2% de diminuição no preço ao consumidor final.
É pequena, mas a gasolina pesa na inflação e tem outros cortes previstos no radar, com queda no petróleo e no dólar. No IPCA de 2025, deve ter um impacto de 0,1 ponto percentual. Isso ajuda a fazer a inflação voltar ao teto do intervalo de tolerância, o que não ocorre desde 2024. A meta do Banco Central é 3,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual.
Além dos combustíveis, os preços dos alimentos também estão trazendo um bom alívio ao bolso do consumidor. Tem queda do arroz e do feijão, que preocupa produtores mas dá fôlego ao orçamento familiar, apertado pelo juro e a inadimplência. Alimentos in natura, como hortigranjeiros, também estão mais baratos, além de ovo, leite, café e até alguns cortes de carne. O que ainda pressiona do outro lado é a alta da conta de luz.
Por fim, as diminuições no preço da gasolina dão ainda mais espaço para o Banco Central iniciar o corte da taxa de juro Selic. Talvez até antecipe ainda para 2025 a redução prevista para início de 2026. Claro que o risco das contas públicas do governo federal ainda assombra a autoridade monetária com sua pressão de inflação, mas a tendência segue de queda. O presidente Lula nem precisa cobrar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, como o fez publicamente em evento do governo federal nesta semana.
No seu bolso
Em tempo, no Rio Grande do Sul, o preço da gasolina comum está na média de R$ 6,22, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Teve uma alta recente, voltando ao patamar de maio. A média mais baixa atingida em 2025 foi de R$ 5,98.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




