
A reunião entre os presidentes Lula e Trump deixou otimista a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidade empresarial brasileira mais interessada no recuo do tarifaço e a que mais participa ativamente das negociações. O superintendente de Relações Internacionais, Frederico Lamego, falou ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha. Leia trechos abaixo e ouça a íntegra no final da coluna.
O andamento é promissor?
Em setembro, fomos aos Estados Unidos em um ambiente não muito amistoso. Agora, quando olhamos as próprias palavras do presidente Lula e encaminhamentos colocados no final de semana, sinaliza possibilidade de desfecho rápido, inclusive com a suspensão das tarifas, que é o pleito da CNI. Esperamos que o acordo saia antes do final do ano.
O que deve conter?
Todos os acordos dos Estados Unidos com outros países — a exemplo da Indonésia, Japão e União Europeia — têm o componente das tarifas, sobre o que eu acho que aqui terá desfecho rápido. É possível que entrem nossos regulamentos para entrada de produtos americanos, simplificação de processos e investimentos de empresas brasileiras nos Estados Unidos. Tem ainda o etanol, que cobramos 18%, mas os empresários querem também ter acesso ao mercado americano. Estamos compilando dados, porque tudo vai se dar em função de uma narrativa que tem que ser construída pelos dois lados.
Quais temas cruciais?
Tem pressão americana no tema dos minerais críticos, sobretudo em função de um eventual acordo com a China e os Estados Unidos, e o Brasil ser o segundo maior detentor de reservas naturais e diversos minérios. Os americanos estão de olho nesse nosso potencial mercado, o que deve entrar na mesa. Nós, da CNI, colocamos o tema dos data centers e a possibilidade de uma cooperação para a produção de combustíveis sintéticos de aviação. Por último, eles também têm interesse em uma colaboração na área de defesa. O Brasil cogita compra de helicópteros e outros produtos militares.
E sobre os produtos do Sul, a região mais afetada pelo tarifaço porque envia fumo, bens de capital e calçados?
Do lado do Brasil, o objetivo é uma suspensão temporária e imediata de todas as sobretaxas, voltando dos 50% aos 10%. Com isso, vários destes segmentos voltariam a ser competitivos, ainda que não voltemos ao patamar do ano passado.
Qual a influência do acordo com a China?
A informação é de que está para ocorrer, mas não se conhece os termos. O governo americano está sob pressão de diversos setores, há previsão de manifestação de deputados e produtores de soja, que estão com receio do cenário para exportações. Mas a percepção da CNI é de que o Brasil precisa intensificar relações com o resto do mundo, independentemente dos acordos. Não podemos ficar como espectador. Tem que abrir agenda propositiva com a Índia, com o Sudeste Asiático e ir além na América do Sul e no Oriente Médio, aproveitando que o Brasil está na presidência do Mercosul.
E sai o acordo Mercosul-União Europeia, mesmo com as novas salvaguardas anunciadas por eles?
Estamos com a expectativa de que saia, independentemente dessas ressalvas. O cenário geopolítico favorece, assim como com outras frentes, como Canadá e até Reino Unido.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




