
A crise de segurança do Rio de Janeiro tem as mais diversas ligações com a economia, como causa e consequência. Começa pelo impacto imediato, com comércios que não abrem, aulas suspensas, transporte coletivo reduzido e pessoas que não conseguem chegar ao trabalho. Além disso, gera medo fora do Estado e do país, com um reflexo fortíssimo na decisão de turistas de irem ou não para este que é um dos principais destinos brasileiros e que se aproxima da sua alta temporada. É época de compra de passagens para verão e Carnaval.
No longo prazo, olhemos para frente na decisão de uma empresa de investir ou não em um lugar e no efeito da insegurança — que não começou hoje no Rio — nos indicadores econômicos. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), é o Estado com menor crescimento de PIB entre 1985 e 2022, com média anual de 1,6%. Foi também o único com recuo no emprego formal no período na indústria da transformação. É sabida a desindustrialização do Rio nas últimas décadas. Segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), a segurança é citada por dois terços dos empresários como elemento de decisão de investimentos.
Em uma fala para rebater as acusações do governador Cláudio Castro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou o governo estadual pela falta de ajuda no combate à fraude dos combustíveis, que gerou uma megaoperação recentemente, com grandes ramificações no Rio. Haddad afirmou que Castro precisa "acordar" para o problema que financia o crime e auxiliar a Receita Federal.
"Nós apreendemos quatro navios. Está uma guerra jurídica em torno da liberação ou não dessas mercadorias. E eu penso que o governador deveria nos ajudar em relação a isso. O governo do Estado do Rio tem feito praticamente nada em relação ao contrabando de combustível, que é como se irriga o crime organizado."
E falou mais sobre o que chamamos de "economia subterrânea":
"O dinheiro, no caso do Rio de Janeiro, todo mundo sabe que está vindo da questão do contrabando de combustível, da fraude tributária, da simulação de refino, da distribuição de combustível batizado. E eu penso que o governador deveria acordar para esse problema, que é crônico no Rio de Janeiro, e nos ajudar, ajudar aqui a Receita Federal a combater o andar de cima."
Vida real
Morando no Rio, a gaúcha Grazielle Araujo não abriu sua pizzaria e sua hamburgueria à noite passada. Hoje, os filhos não foram à escola. O empresário gaúcho Marco Tavares trabalhou no setor de gás por duas décadas e conta que mesmo quem mora longe da zona de conflito sente o impacto indireto.
— Zona Sul é tranquila, mas quem trabalha contigo sofre muito. Levam duas horas para chegar ou têm que morar nos lugares mais próximos, mas com insegurança e cobrança por tudo da milícia ou do tráfico — diz.
Em Chicago (EUA) a negócios, o presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Eduardo Santos, assiste pela TV às imagens chocantes do Rio de Janeiro. Para o Exterior, é o Brasil.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: ônibus gaúcho volta à Europa, duplicação de shopping é adiada e varejo atacadista na BR-116
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




