
Caiu a menos da metade a quantidade de lojas de Porto Alegre que pretendem contratar trabalhadores temporários para o final de ano, que inclui Black Friday e Natal. A pesquisa do Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas POA) apontou que a intenção de abrir as vagas foi citada por apenas 28% dos entrevistados contra 62,3% do ano passado.
Há um fator conjuntural, pois juro e inadimplência elevados impactam a projeção de vendas. Além disso, 2024 teve um ótimo desempenho pela injeção de recursos de governos após a enchente, além da compra de itens para repor o que foi perdido e mesmo para doar. O varejo gaúcho fechou o ano com o maior crescimento de venda do país, segundo o IBGE.
Por outro lado, há um fator estrutural. Pela pesquisa, os lojistas estão preferindo contratar efetivos e manter sua equipe, fazendo com que dê conta das vendas em alta temporada. Saltou de 16,4% em 2024 para 32% em 2025 a fatia de lojistas que disseram contratar somente efetivos apesar de o quadro estar incompleto, dispensando vagas temporárias. Isso é motivado pela alta rotatividade e pela dificuldade de achar e reter trabalhadores, reclamação dos setores em geral.
O Sindilojas vê como uma mudança profunda de estratégia empresarial: “O foco não está mais em simplesmente adicionar mão de obra para um pico de vendas, mas em fortalecer um núcleo de funcionários efetivos capazes de entregar um serviço superior.” O presidente, Arcione Piva, falou ainda em “varejo enxuto” em entrevista ao podcast Nossa Economia, de GZH.
— É ter uma equipe enxuta para melhorar o resultado da empresa. Todo mundo está olhando custos. As vendas não têm subido, se busca a sobrevivência e perenidade da empresa.

Mas ainda terá vaga
Para quem está interessado, as contratações se concentrarão na primeira quinzena de novembro. O comércio busca, principalmente, proatividade, disponibilidade de horário, disposição e simpatia. As funções mais procuradas são vendedor, caixa e estoquista.
Para 85% dos lojistas, a falta de empenho é uma dificuldade enfrentada com os trabalhadores. Mas e para quem reclama que o salário é baixo? Piva diz que o avanço na carreira pode ser bem rápido.
— O comércio tem uma infinidade de oportunidades. Vemos basicamente caixa, auxiliar de estoque, vendedor e gerente de loja. Mas pode entrar como estagiário ou temporário e fazer carreira em várias áreas: no RH (recursos humanos), na TI (tecnologia da informação), na inovação ou na própria gestão da empresa. A carreira é tão boa quanto em qualquer outro segmento, como na indústria e no agro. Eu mesmo comecei carregando telha do depósito — diz o empresário, que hoje é dono da Elevato.
A colunista aqui, aliás, começou a trabalhar aos 15 anos no varejo, em uma vaga de vendedora temporária de roupas para o Natal.
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Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: polêmica da energia renovável, leilão de ferrovias e o potencial do triticale
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




