
Não, a reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump não traz ao comércio exterior previsibilidade, o que até mesmo o empresário mais impulsivo gosta de ter nos seus negócios. Não se tem previsibilidade desde que começou a política comercial dos Estados Unidos. Os dois terem, finalmente, se reunido, a criação de um cronograma e, principalmente, não terem ocorrido constrangimentos no encontro são bons sinais. Mas, se Lula pode surpreender, Trump mais ainda.
Lula argumentou que a justificativa para taxar em 50% o Brasil não é correta, pois o mercado norte-americano vende para nós mais do que compra, não havendo o déficit alegado pela Casa Branca. Trump, porém, ainda diz que são motivos justos para tarifar e equilibrar a balança comercial.
Dados os rompantes de Trump, melhor é uma solução intermediária, com tarifa menor do que a atual e lista de isenções maior, afastando um vaivém. Mas é difícil uma grande flexibilização a produtos do Sul, região que mais sofre porque produz o que Trump quer fabricar lá e não comprar daqui.
O comércio internacional é todo interligado. Certamente os termos da conversa com o Brasil consideram os da negociação com a China, que também se arrasta. As duas maiores economias do mundo não querem ficar sem produtos, sem mercado, ter inflação ou ter desaceleração econômica.
Alavancagem
Trump é, como presidente, igual a como é nos seus negócios: "alavancado". Em suas empresas, opera com alto endividamento, usando recursos de terceiros e já pediu diversas recuperações judiciais. Negócios alavancados que dão certo têm bom retorno, mas são de risco. Se não dão, não se tem capacidade de pagamento. Com Argentina, Venezuela e Gaza, Trump alavanca-se ao dizer que faria muito mais do que fez. Como negociar com alguém alavancado? Depender o menos possível dele, ainda que seja a maior economia do mundo.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: ônibus gaúcho volta à Europa, duplicação de shopping é adiada e varejo atacadista na BR-116
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)


