
Um cinturão de tecnologia se forma no entorno de Porto Alegre. A coluna percebeu isso ao noticiar uma série de projetos com este foco na Capital, mas principalmente nas cidades do entorno. Dando todos certo — e quem sabe atraindo outros —, o Estado garante seu lugar no bonde da economia do futuro.
Comecemos pelo Instituto de Tecnologia e Computação (ITEC), que será construído em Gravataí com R$ 400 milhões doados por empresários. O projeto foi idealizado pelo gaúcho Cristiano Franco, fundador da Poatek, com os empresários Marcelo Lacerda e Sérgio Pretto, criadores do Terra, além da Fundação Behring e da Telles Foundation. Será um local para formar cientistas da computação, no qual estudantes vão morar também. Do orçamento, 70% irá para bolsas.
Na lista, tem o centro de competências, um local para desenvolver tecnologias de fronteira (que ainda não existem) para a agroindústria. É uma parceria entre Senai RS e Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que investirá R$ 60 milhões, com potencial de dobrar o valor. Parte da operação ficará em São Leopoldo e outra parte na zona norte de Porto Alegre. A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) chegou a anunciar um prédio de R$ 50 milhões, mas agora analisa uma composição com outra edificação próxima.
Em Eldorado do Sul, tem o projeto de data center de R$ 3 bilhões da Scala. A ideia é que ele seja bem maior do que isso, transformando-se em uma “cidade de data centers”, mas depende de avanço de legislações e de incentivos federais para equipamentos.
Já em Guaíba, tem o centro de pesquisas previsto para a AeroCITI, complexo com fábrica de aviões que a Aeromot construirá no antigo terreno da Ford. A pedra fundamental será lançada no dia 23 de outubro, informou recentemente à coluna o secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo. Aliás, ele também destaca que a chilena CMPC investirá R$ 200 milhões para dobrar seu centro de pesquisas e laboratório fitossanitário na cidade, o que faz parte do novo projeto de R$ 27 bilhões da indústria de celulose para ter uma fábrica nova em Barra do Ribeiro e tudo mais que exigirá este que é o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul.
Por fim, ainda se negocia a instalação de uma fábrica de chips de R$ 1 bilhão em Cachoeirinha. A empresa é a Tellescom, que pretende ocupar a área da extinta estatal Cientec. É um projeto prioritário do presidente da InvestRS, Rafael Prikladnicki.
A coluna torce para que todos estes projetos saiam do papel. Individualmente, já teriam um bom efeito econômico. Juntos, o potencial de impacto se multiplica.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: o absurdo das ferrovias no RS, loja da Shein em POA e multinacional fechada
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






