
São R$ 500 milhões em dívidas que a Cotribá precisa reestruturar para arrumar as finanças da cooperativa, que tem 114 anos e é a mais antiga do Brasil. Enxugamento e foco na região da sua sede, em Ibirubá, estão na estratégia do CEO Luis Felipe Maldaner, contratado para o cargo para dar sequência à reorganização. Na entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, disse que o principal desafio agora é retomar a credibilidade com os produtores.

Qual o tamanho do problema?
Cheguei ontem aqui, mas já verifiquei que o problema financeiro é bem grande, com dívidas com bancos e produtores. Teremos que reestruturar processos e examinar as unidades de negócios. Além disso, a soja tem margem pequena e as taxas de juros estão altas. Estamos com um plano de ação de estabelecer um novo ciclo na Cotribá a partir das próximas safras.
De quanto é a dívida?
De cerca de R$ 500 milhões. A primeira parte, que é a dívida com os produtores, está sendo paga primeiro e com a venda de operações, para retomar credibilidade para estas duas próximas safras, de canola e soja. A segunda é com agentes financeiros, como bancos. Estamos fazendo reuniões para negociar individualmente.
Quanto tempo levará o ajuste?
Difícil dizer. Temos uma boa possibilidade de solução que seria o alongamento de dívidas para cooperativas permitido por uma medida provisória, com juro mais acessível.
Enxugará mais?
Sim. Houve realmente uma expansão muito grande de 2010 para cá, inclusive para fora da região. Isso deixou a gestão complexa, com produtores de outras regiões e longe da sede em Ibirubá.
O que venderão?
Já vendemos três postos de combustíveis e estamos avaliando unidades de negócios mais distantes, encurtando a geografia de atuação da Cotribá. Não temos a intenção de vender os quatro supermercados e a fábrica de ração, que está operando e tem margem de lucro razoável.
Ouça a entrevista na íntegra:
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: o absurdo das ferrovias no RS, loja da Shein em POA e multinacional fechada
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)





