
Um dos principais parceiros comerciais e turísticos do Rio Grande do Sul, a Argentina enfrenta uma nova crise. O presidente Javier Milei pediu ajuda dos Estados Unidos para controlar o câmbio, já que está precisando torrar suas reservas de dólares para evitar inflação e cumprir seu acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, ouviu o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli. Confira trechos e ouça o áudio na íntegra.
Como surgiu esta nova crise?
O governo Milei adotou uma série de medidas bem recebidas, eliminando licenças de importação e o CEPO cambial, que limitava envio de divisas por empresas ao Exterior. Tomou medidas para desburocratizar o comércio. Trouxeram resultados palpáveis, reduzindo inflação e estabilizando o dólar. Mas era um governo com pouco apoio no Congresso, quando a economia deu sinais preocupantes com queda de produção, consumo e emprego. Sofreu revezes, como perder a eleição em Buenos Aires. O dólar começou a sair do controle. Mas o país é volátil. Medidas lançadas nesta semana já tiveram bom impacto.
Quais?
Além do reforço das reservas de dólares prometido pelos Estados Unidos, foram suspensas até outubro as retenções de exportações do agronegócio adotadas há alguns governos. Com isso, os produtores de grãos podem exportar mais e trazer dólares para o país.
A Argentina é grande destino e origem de negócios com o Rio Grande do Sul e seria escape para os problemas do Brasil como os Estados Unidos. Como fica o comércio internacional?
Há bons indicativos. O setor produtivo na Argentina segue muito grande. Tivemos muitas feiras. Independentemente destas oscilações, o interesse permanece. É um parceiro importante e de qualidade, que compra produtos de valor agregado.
Empresas, inclusive gaúchas, analisam transferir produção a unidades próprias ou de parceiros na Argentina para exportar de lá aos Estados Unidos. Fala-se disso aí?
Há espaço para isso, mas tem que esperar um pouco para ver o que vai acontecer. Não está claro o rumo real desta política errática de Trump. Claro que as empresas estão considerando, mas a situação econômica deste momento faz que prefiram importar do Brasil do que fabricar aqui.
O Rio Grande do Sul passou a ter mais trabalhadores argentinos do que uruguaios. Percebem essa saída de pessoas?
Não muito, mas as pesquisas mostram que essas medidas de impacto positivo na macroeconomia tiveram efeitos negativos na microeconomia. Famílias não conseguem chegar ao fim do mês com seus salários. Entendo que buscam oportunidades melhores.
E o turismo de brasileiros? Havia caído com o peso valorizado.
Há uma retomada, ainda que modesta, com a desvalorização agora do peso. Isso depende do câmbio, que, agora, já está valorizando.
Ouça a entrevista completa:
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)

