
O Rio Grande do Sul atingirá a autossuficiência energética em três anos, o que significa produzir tudo o que consome. Por enquanto, ainda precisa trazer de fora do Estado pelo sistema interligado. E o melhor: 90% será de energia renovável, prevê o diretor do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Guilherme Sari. A fonte hídrica, claro, tem um grande peso, mas outras ajudarão a diversificar a matriz energética gaúcha para que seja competitiva, tema do Gaúcha Talks, painel da Rádio Gaúcha com Sulgás, realizado na Casa RBS na Expointer, mediado pela coluna.
Nesta lista, estão a energia eólica, a solar, biomassa e, inclusive, o biometano, que é a aposta da Sulgás. Atualmente, o combustível renovável responde por apenas 2% do total de gás da distribuidora, mas a ideia é dobrar esta fatia. A gerente-executiva de Estratégia, Thays Falcão, diz que, para isso, é preciso ter competitividade de preço, demanda de consumidor para este valor e, claro, terceiros que produzam o biometano. Enquanto isso, segue apostando no gás natural como combustível de transição, ou seja, ainda que seja fóssil, é menos poluidor.
Falando em demanda, o "case" de consumidor e, em breve, gerador foi a Reiter Log. O grupo é bastante conhecido pela frota de veículos a gás e elétrica e, mais recentemente, a biometano. A diretora de Negócios e ESG, Vanessa Reiter Pilz, contou que para a Natura, um dos seus grandes clientes, tem caminhões a biometano. Além disso, o grupo está construindo com R$ 120 milhões uma usina para produzir o gás em Capão do Leão usando resíduos do seu braço de agronegócios e destinando para abastecer seus próprios veículos.
Por fim, grande destaque para o detalhamento e andamento do investimento de US$ 1 bilhão para transformar a Refinaria Riograndense em uma biorrefinaria, produzindo biocombustíveis a partir de óleos vegetais e residuais. A unidade produzirá de querosene verde para aviação, conhecido como SAF, até diesel renovável, além de outros químicos. A primeira das três fases já entrará em operação em fevereiro de 2026, contou o head de Biorrefino da Refinaria Riograndense, Flávio Mingorance, que projeta, com o empreendimento, movimentar mais US$ 1 bilhão na cadeia do agronegócio. O executivo contou que os mercados serão o brasileiro, o europeu e até mesmo o norte-americano, já que a energia escapou do tarifaço do presidente Donald Trump.






