
Os agricultores estão ansiosos para o avanço das negociações quanto à proposta para a dívida rural e que se chegue a um acordo ainda na Expointer, disse o presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva. Na semana passada, como a coluna antecipou, o governo federal propôs renegociação de até R$ 10 bilhões para pagamento em sete anos com um ano de carência e juro de 6% para os pequenos, 8% para os médios e 10% para os grandes. O agro gaúcho pede redução no juro, aumento do prazo para até 10 anos e ampliação da soma das dívidas em uma segunda etapa para R$ 25 bilhões. No sábado, houve nova reunião com o Ministério da Agricultura, mas Joel enfatiza que é preciso avançar no Ministério da Fazenda.
— A taxa não é baixa, pois é de 6% para uma dívida longa. E R$ 10 bilhões é pouco, seria só empurrar com a barriga. O governo pode botar isso neste ano e o resto no ano que vem. Aí, resolve — diz o presidente da Fetag.
Também em entrevista ao Gaúcha Atualidade na Expointer, o superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Rio Grande do Sul, Milton Bernardes, disse que há espaço para o governo federal avançar, pelo que tem acompanhado nas reuniões. Acha, inclusive, que é possível se chegar aos 10 anos de prazo para pagamento e se liberar mais do que os R$ 10 bilhões. Porém, também descartou, como outros integrantes do governo federal têm feito, a proposta de securitização, mais complexa, com mais prazo de pagamento e que exige desembolso federal maior.
— Queremos avançar sobre propostas que estão realmente na mesa — disse, afastando a securitização — o secretário nacional de Política Agrícola (Guilherme Campos Júnior) ter vindo aqui ao Estado e conversado com as entidades é simbólico, é forte, dá disposição para negociar e avançar nas propostas.
Diretor-Presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto complementou dizendo que o governo está analisando quais dívidas efetivamente são do agro, sinalizando que não precisa se renegociar toda a soma que tem sido apontada, que totaliza mais de R$ 72 bilhões.
— Como uma propriedade de 100 hectares tem uma dívida de R$ 19 milhões!? — questionou.
Ouças as entrevistas completas:
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: supermercados de SC espalhados pelo RS, jovem de Bagé assume comando da Agas e mais
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






