
De 2015 para cá, 341 processos de burnout no Rio Grande do Sul foram identificados pela Predictus, empresa de bancos de dados judiciais. Comparando 2024 com o primeiro ano do levantamento, o crescimento de casos de esgotamento profissional foi de 241%.
Assim como sua posição no ranking de PIBs, o Estado fica em sétimo no país em número de ações envolvendo burnout. A Predictus chama a atenção para a concentração de casos no setor de saúde. O maior número de registros foi em atividades de atendimento hospitalar, 20% do total de processos. Isso faz não surpreender o crescimento maior após 2020, quando começou a pandemia.
Em segundo lugar, a educação superior traz 6,2% dos casos. Em terceiro, 5,6% deles são na administração pública. Aqui, a Predictus também observa uma diferença grande em relação ao país, onde o setor financeiro concentra registros de burnout.
Porto Alegre, Caxias do Sul, Novo Hamburgo, Canoas e Santa Cruz do Sul se destacam — negativamente — pelo número de processos.
Em 2023, atingiu-se o pico e, depois, desacelerou. Com o que já foi verificado em 2025, a tendência é manter o recuo, mas ainda em patamares superiores ao pré-pandemia.
A predominância de empresas "maduras" (47,5% com mais de 50 anos) entre os casos sugere características específicas dos casos de burnout no Estado:
- Práticas organizacionais cristalizadas, desenvolvidas ao longo de décadas;
- Culturas corporativas estabelecidas, com maior resistência a mudanças;
- Estruturas hierárquicas tradicionais, potencialmente mais rígidas;
- Necessidade de modernização em práticas de gestão de pessoas e bem-estar.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: o absurdo das ferrovias no RS, loja da Shein em POA e multinacional fechada
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






