
Mais uma vez bastante irritado, o prefeito Sebastião Melo listou as operadoras de telefonia e internet que deixam os fios nos postes. Na entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, leu os nomes que levou anotados em um papel: Claro, Oi, Vivo, Unifique, RL, Algar e CleanNet.
— 90% dos fios na cidade são delas e quero dizer que essas empresas não merecem meu respeito — disse.
A impaciência do prefeito desta vez foi provocada pelo fato de que empresas de telecomunicações recorreram judicialmente mesmo após ter sido fechado um acordo que definia responsabilidades e permitia que todas as empresas retirassem fios independentemente de quem era a dona.
— Isso é feio! Tem ata, tem tudo!
Outra novela é um acordo escrito pela Procuradoria Geral do Município (PGM) por provocação da própria CEEE Equatorial, que não o assina. O documento "vai e vem". A concessionária de energia não aceita a punição colocada pela não retirada dos fios.
— Acordo que não tem punição não é acordo. CEEE também tem culpa no cartório porque o poste é dela. Então, tem que vir para o jogo.

Enquanto isso, a prefeitura tem feito a retirada de fios e o prefeito diz que cobrará o custo.
— Estou tirando caseiramente e mandei fazer um termo de referência. Vou fazer uma licitação também para tirar os fios aéreos (não apenas o caídos) porque, sinceramente, estou muito cético do acordo. Mas vou cobrar tim-tim por tim-tim dessas empresas — finalizou Melo.
Ouça a entrevista com o prefeito Sebastião Melo:
Chamadas a pagar
Operadoras de telefonia e internet serão chamadas pelo Ministério Público para retirarem os fios dos postes de Porto Alegre. Por enquanto, será uma provocação sem punição. No caso de não se chegar a um consenso com estas empresas ou com a CEEE Equatorial, o promotor Felipe Teixeira Neto cogita incluí-las em ação judicial que já existe, disse ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.
A lista das 20 maiores operadoras de telecomunicações que atuam na Capital já foi repassada pela prefeitura. O Ministério Público prevê chamá-las a partir da semana que vem.
— A ideia é que formem um consórcio para que dividam a cidade em poligonais (áreas com maiores problemas) e retirar os fios de ruas e bairros inteiros, não apenas de pontos específicos. A divisão seria conforme a participação de mercado de cada uma — disse.

O promotor enfatiza que Porto Alegre tem mais de 100 contratos de compartilhamento de infraestrutura. Ou seja, é o número de empresas que passam fios em algum local da cidade. As operadoras alugam o espaço pagando à CEEE Equatorial, que é a dona dos postes. A identificação dos fios é precária, com plaquinhas que são facilmente retiradas e o material fica abandonado.
A CEEE Equatorial não quis dar entrevista ao programa, nem a Conexis, entidade que representa as operadoras.
Ouça a entrevista com o promotor Felipe Teixeira Neto:
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: novos mercados após tarifaço, recuperação judicial de R$ 1 bi, shopping maior e mais
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)


