
Em ofício encaminhado à Portos RS na última sexta-feira (22), a Unifértil cogitou parar operações caso não seja resolvida com "urgência urgentíssima" ainda em 2025 a dragagem de hidrovia onde excesso de sedimentos a impede de trazer os fertilizantes para as operações. No texto bastante incisivo, a empresa, a principal usuária do porto de Porto Alegre há 53 anos, relata enfrentar há 10 meses "uma grave crise de abastecimento nas suas duas plantas industriais de fertilizantes em Canoas". Referiu-se, primeiro, aos encalhes de navios após a enchente nos canais de Itapuã, Leitão e Pedras Brancas. Agora, porém, o entrave às embarcações está em 500 metros do Canal Feitoria, perto de Rio Grande.
"O polo Metropolitano de Porto Alegre já vem enfrentando uma desmobilização acelerada nos últimos 10 anos com fechamentos de várias operações de empresas do ramo de fertilizantes. Caso persista este cenário de inviabilidade de acesso até o final de 2025, não restará outra alternativa para a Unifértil em 2026 se não desmobilizar os investimentos e operações que ainda sofrem com prejuízos e repercussões da calamidade de 2024.", diz trecho do documento, que segue: "Infelizmente deverá ser registrada a desistência no arrendamento e recuperação do Armazém POA 11 e o encerramento de operações de fertilizantes que hoje são deficitárias em Canoas / Porto Alegre e que não se viabilizam com custo de fretes via transbordo de barcaças e/ou rodoviário do Porto de Rio Grande."
Por fim, a Unifértil também diz estar "infelizmente" procurando outros portos, como Imbituba (SC), São Francisco do Sul (SC) e Paranaguá (PR).
A coluna questionou o secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, que informou que o edital foi aberto na sexta-feira passada para contratar a empresa da dragagem. O prazo para apresentação de propostas termina nesta sexta (29). Garantiu já existir a batimetria, que é o estudo que aponta quanto de sedimentos precisam ser retirados, o que pode chegar a 700 mil metros cúbicos. O serviço é para começar em setembro, com prazo máximo de seis meses para ser finalizado. Ultrapassa o prazo da Unifértil, mas, sendo feito o trabalho, certamente a empresa evitará transferir suas operações.
— O prazo final é de seis meses, como determina o Funrigs (fundo criado para obras de reconstrução após suspensão do pagamento da dívida com a União), de onde vem o recurso para dragagens — diz Costella.

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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



