
Formação de joint ventures (uma "união com risco" entre empresas) tem sido estudada por indústrias para driblar os impactos do tarifaço de 50% dos Estados Unidos às importações brasileiras. O relato foi feito pelo presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região (Simecs), Ubiratã Rezler, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha. Esta fala é um alerta muito preocupante, pois estas joint ventures são formadas por empresas gaúchas com parceiras internacionais para levar a produção para fora do Brasil, fabricando em países que foram menos taxados pelo presidente Donald Trump.

— De lá, venderiam ao mercado norte-americano ou mesmo ao do país onde estará a linha de produção — diz.
É uma saída, mas acabará sendo péssimo para um setor que já vem estagnado nos últimos anos, especialmente no Rio Grande do Sul. No primeiro semestre, a produção industrial cresceu em apenas um mês, segundo o monitoramento do IBGE.
Rezler já tinha contado à coluna que algumas indústrias avaliavam levar produção a países como Argentina e Paraguai, que têm custo menor do que os Estados Unidos, apesar de Trump querer atrair estas fábricas para seu território no processo de reindustrialização. Porém, é muito caro produzir lá, especialmente pela mão de obra.
O Simecs representa muito o segmento de máquinas e equipamentos, duramente atingido pelo tarifaço, que teve produtos mais industrializados como alvo. Enviar estes itens para outros mercado é mais difícil do que commodities, como alimentos. O mercado brasileiro também não teria capacidade de comprá-los.
— O desaquecimento do mercado interno deixa isso ainda mais difícil do que procurar outro destino para os embarques. Já estamos vendo demissões, com preocupação especial com a cadeia produtiva, além do exportador, pouco beneficiada com as medidas — afirma, referindo-se ao plano de contingência anunciado pelo governo federal.
— Não temos muita clareza do que vai acontecer. Então, ficamos planejando manobras enquanto observamos a conversa entre os governos.
Ouça a entrevista ao Gaúcha Atualidade:
E confira também a entrevista da diretora técnica do Dieese, Adriana Marcolino, sobre a estimativa de impacto do tarifaço nos empregos:
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: novos mercados após tarifaço, recuperação judicial de R$ 1 bi, shopping maior e mais
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)





