
Um dos setores preocupados com o tarifaço de 50% do presidente Donald Trump é o da carne. Os Estados Unidos compram 20% da exportação brasileira do alimento, menos somente do que a China. Coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da UFRGS, Júlio Barcellos chega a falar que seria "catastrófico".
— Os Estados Unidos pagam em torno de US$ 6,7 mil a tonelada, contra US$ 4,8 mil pagos pela China. Será um grande estrago para os negócios! — comenta.
O Rio Grande do Sul em si exporta pouca carne bovina para os Estados Unidos. Vai mercadoria apenas de uma fábrica de enlatados de Hulha Negra. No primeiro semestre do ano, o produto ficou em 9º lugar entre os que mais o Estado embarcou ao mercado norte-americano. Porém, haveria impacto de preço.
— A cotação do boi já recuou e vinha de uma recuperação. Com esse freio nas exportações para os Estados Unidos, a carne baixará no Brasil Central e descerá para o Rio Grande do Sul, derrubando ainda mais o preço do produto gaúcho e podendo causar grandes danos à nossa pecuária.
Até pode ter um efeito de curto prazo para o consumidor, mas a cotação baixa faz o pecuarista deixar de produzir, ainda mais que terá elevação de custos com insumos importados.
— Ilude-se o consumidor que imagina vantagens. Logo na frente, ele pagará a conta — diz o professor.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



