
Se boa parte dos exportadores brasileiros respira aliviada com as exceções do tarifaço do presidente Donald Trump, a preocupação não arrefeceu tanto assim aqui no Rio Grande do Sul. Segundo principal destino dos embarques gaúchos ao Exterior, os Estados Unidos se destacam pela compra de industrializados, diferentemente da China, que importa itens mais básicos. Ou seja, enviamos aos norte-americanos produtos de maior valor agregado, com mais tecnologia, fabricados aqui, gerando mais emprego e impostos.
Fumo industrializado, que o Rio Grande do Sul tem exportado mais do que soja, será taxado. O setor, porém, acredita que não será tão difícil substituir este mercado por outros. Já as indústrias de calçados estão apavoradas. São anos de oscilações neste setor intensivo em mão de obra, o que significa empregar muita gente. Aliás, é um balde de água fria, pois os calçadistas gaúchos abocanharam mercado norte-americano quando a China travou na pandemia, ganharam mais espaço antes de Trump e Xi Jinping começarem a se entender e estavam na expectativa de serem beneficiados pela taxação dos asiáticos.
Alguns veículos ficaram a salvo, outros não, como as máquinas agrícolas, que tem 60% da produção nacional feita no Rio Grande do Sul. Bens de capital, que é o maquinário para indústria, traz o grande baque. Será o setor mais afetado em faturamento por ter ficado de fora das exceções, diz a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O presidente, José Velloso, disse à coluna que uma tarifa de 50% é como um embargo para o setor, acabará com o comércio com os Estados Unidos. Bens de capital são um segmento fortíssimo da indústria do Rio Grande do Sul, somando mais de 20% dos embarques aos Estados Unidos.
Por fim, armas também ficaram de fora, o que impacta a Taurus, que tem sua sede em São Leopoldo. A empresa já havia ameaçado levar sua produção aos Estados Unidos quando o governo Jair Bolsonaro estimulou a importação de armamento. Ela tem uma fábrica na Geórgia, o que facilita a transferência.
Celulose e madeira de eucalipto não serão sobretaxados, mas painéis de madeira e embalagens sim. Ou seja, podemos enviar a matéria-prima, mas não o produto acabado. Isso não vem do nada. Trump quer reindustrializar os Estados Unidos, fortalecendo as fábricas que já tem e levando outras que não tem, mas gostaria.
Carne também fica de fora. No caso da bovina, os Estados Unidos não são mesmo um grande mercado para os gaúchos. Porém, tirou a esperança de se começar a vender ovos aos norte-americanos, diz o presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo Santos.
O que o RS mais exporta para os EUA:
- Fumo e industrializados: 12,92%
- Máquinas e materiais elétricos: 12,8%
- Calçados: 7,28%
- Reatores nucleares, caldeiras e máquinas: 6,96%
- Madeira e carvão vegetal: 6,84%
- Armas e munições: 6,78%
- Pastas de madeira e celulose: 6,52%
- Automóveis, tratores e outros veículos: 5,36%
- Carnes e miúdos: 4,74%
- Borracha: 2,78%
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: quem paga a taxa de Trump, prédio preserva igreja, leilão de hotel em Gramado e mais
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)
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