
O Rio Grande do Sul fechou o primeiro semestre com 92 pedidos de recuperação judicial de empresas, 15% acima dos 80 do mesmo período do ano passado. Já as falências decretadas dispararam 60%, subindo de 30 para 48 registros, conforme os dados da Junta Comercial, Industrial e de Serviços do Rio Grande do Sul (Jucirs).
No caso das RJs, monitoradas há menos tempo, bateu-se o recorde. Já nas falências, os números eram bem mais elevados por volta de 2005, quando uma atualização na legislação liberou casos represados da época da antiga concordata, lembra o economista Eduardo Vargas. Em 2015, houve a longa recessão brasileira com crises estruturais das empresas e, em 2020, alterações nas normas das recuperações judiciais, aumentando processos de varejo e de agricultores.
Agora, o cenário tem vários fatores que voltam a elevar os números. O juro alto deixa o caixa mais apertado e as dívidas mais difíceis de pagar, principalmente para quem pegou crédito no auge da pandemia, quando a Selic foi reduzida para estimular a economia. Era previsível este ciclo financeiro, que afeta também o agronegócio, que, além do juro baixo, surfava nas altas cotações internacionais dos grãos. Agora, enfrenta estiagens e dívidas que ficaram caras, com preços de venda normalizados.
Um outro ponto observado pela coluna é que a recuperação judicial ficou mais comum, afastando a vergonha que as empresas tinham de recorrer a ela. Ainda assim, há quem questione a necessidade em alguns casos, especialmente para produtores rurais. A RJ substituiu a antiga concordata e tem como objetivo dar fôlego financeiro para que a empresa não quebre. O processo exige cumprimento de prazos, aprovações de credores e diversas autorizações da Justiça.
Criação e extinção
Ainda no primeiro semestre, foram abertas 155 mil empresas no Rio Grande do Sul, número que sempre é bastante inflado pelo registro de microempreendedores individuais (MEI). Fica 25% acima do mesmo período do ano passado. A extinção, porém, subiu mais: 58%. O número saltou para 96 mil, também com peso grande dos MEI.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






