
Fundador da maior operadora de turismo do Brasil, a CVC, e extremamente atento ao setor no Rio Grande do Sul, Guilherme Paulus se encanta ao falar do sonho de que os turistas rodem por todas as regiões do Estado. Ao mesmo tempo, está preocupado com a difícil recuperação após a enchente e com o crescimento acelerado de Gramado. Alerta em especial para as multipropridades. No dia 31, às 11h30min, o empresário estará no Fecomércio-RS Debate, em Porto Alegre, mas falou antes ao podcast Nossa Economia, de GZH. Veja trechos abaixo e ouça a entrevista na íntegra.
Após a enchente, a CVC manifestou a intenção de ter um roteiro turístico gaúcho que reunisse Serra, Litoral e Porto Alegre. Avançou?
Estamos trabalhando, temos alguns programas elaborados. A Capital está se recuperando. Também vemos a importância de fazer um trabalho completo além da uva e do vinho, da Campanha e das Missões. Você tem a capital do doce, que é Pelotas, os Molhes da Barra. O Litoral tem o aeroporto de Torres, o que beneficia, pois a CVC tem forte presença no Chile, na Argentina e no Uruguai. Vamos tentar, não digo derrotar, os catarinenses, que fizeram um trabalho muito bem feito em Balneário Camboriú.
Unindo tudo?
Isso é muito importante para o turismo, aumenta a permanência tanto na Capital, como no Litoral e na Serra. Não é só para um final de semana, mas para de 10 a 15 dias. Quando o aeroporto estava fechado, tivemos um programa casado com Santa Catarina. Mais de 500 turistas em 60 dias visitaram o litoral catarinense, passando por pelo litoral gaúcho e subindo à serra gaúcha para o nosso hotel Castelo Saint Andrews.
Como vê a suspensão de novos projetos de hotéis e restaurantes em Gramado, feita pela prefeitura e apoiada pelo setor do turismo?
Realmente temos que tomar posições e o prefeito (Nestor Tissot) tomou uma essencial. Nos próximos três a cinco anos, serão 50 mil leitos em Gramado e Canela. Estamos superofertados.
Qual sua opinião sobre a venda de cotas de imóveis? Tem-se avaliado que multipropriedades não são sustentáveis.
O mundo já teve problemas com isso em lugares como Miami e Caldas Novas, aqui no interior de Goiás. Vários hotéis são verdadeiros cemitérios totalmente abandonados. Eram vendidos primeiramente para seis pessoas, depois para 12, 24, 36. Ou seja, você tem um apartamento de 40 metros quadrados que divide com 36 pessoas. É impossível, um engana-engana. Isso já aconteceu nos apart-hotéis. Todo mundo começou a investir porque seriam um milagre. Isso não pode acontecer e a prefeitura está abraçando essa causa, inclusive com a proibição de abordar turistas na rua para levar à sala de vendas.
A impressão é de pirâmide. Quando aumenta a inadimplência, mais oferecem?
É o alerta que temos dado aos consumidores para que não caiam no conto do vigário. O número que estão oferecendo é um engano. A pessoa não consegue pagar, toma multa e aquele dinheiro fica perdido. Tem várias ações judiciais. E é um negócio muito ruim para o turismo, porque impacta mal.
Por quê?
A pessoa compra porque se apaixona pelo destino e fala: "Pô, vou passar minhas férias inteiras aqui no ano que vem." Mas ela consegue repetir o destino duas ou três vezes em cinco anos. Então, prometem que vai alugar e dar rendimento, mas acaba nem pagando o condomínio, que a pessoa paga sem usar porque outro faz reserva quando ela quer ir. É um impacto desagradável. Assusta o turista.
O que trará na palestra da Fecomércio-RS?
Apresentarei um estudo da FGV de que, a cada R$ 1 investido na promoção do turismo, temos R$ 20 injetados na economia nacional. A chuva e o frio assustaram o turista. Estamos mostrando que não é assim para ajudar. O impacto na Serra foi muito ruim. A nossa taxa de ocupação caiu de 30% no final de 2024 para 20% em julho de 2025, que era nossa alta temporada. Eventos foram cancelados, reservas foram suspensas e a economia regional enfrenta uma crise severa. A operação de voos nacionais e internacionais não foi totalmente retomada ainda, devido à baixa ocupação e os preços que assustaram. As companhias tinham 10 a 12 voos por dia e, de repente, passam a ter dois, três. O aeroporto de Caxias do Sul está recebendo um avião por dia.
E eventos?
Queremos trazer duas atrações grandes, uma para o Festival de Cinema de Gramado, que eu luto muito para que seja transformado realmente em um festival internacional. Já fizemos o convite para tentar trazer o diretor Francis Ford Coppola, do Poderoso Chefão, o que seria um marco. Estamos aguardando as exigências dele. E a outra atração é para o Natal Luz. Já pensou Andrea Bocelli cantando no Lago Negro? Seria espetacular. Vamos ver qual o preço.
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Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: quem paga a taxa de Trump, prédio preserva igreja, leilão de hotel em Gramado e mais
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)

