
Lidar com os arroubos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, definitivamente não é para os fracos. Dificilmente alguém projetou que viria algo tão impactante quanto este tarifaço adicional inexplicável de 50% sobre as importações brasileiras, atribuído a motivos nada comerciais, como o processo contra Bolsonaro e as redes sociais. Extraoficialmente, é também resposta à fala do presidente Lula sobre substituição do dólar e fortalecimento do Brics - grupo de 21 países emergentes.
A reação imediata é alta forte do dólar e queda na bolsa, pois o investidor já reage a possíveis impactos na economia e nas empresas brasileiras. Muitíssimo improvável, porém, que esta situação siga assim. Pode ser — e espera-se que seja — mais um ato do teatro de Trump.
Só que sempre faz um estrago. Trump mistura política com economia de forma demasiada e piorada com seu ego intempestivo.
Péssimo para o Brasil, péssimo para o Rio Grande do Sul. Os Estados Unidos são o segundo principal mercado das exportações gaúchas, perdendo apenas para a China. Os norte-americanos compraram 10,2% dos embarques gaúchos ao Exterior no primeiro semestre. Foram US$ 950 milhões. Houve até um aumento de fatia em relação aos últimos anos, inclusive por um movimento de antecipação dos envios para driblar as tarifas maiores.
O país, porém, também é uma das maiores origens das importações brasileiras e gaúchas. Havia inclusive se “safado” de tarifas maiores anteriormente por causa deste déficit na balança comercial com eles. Sendo mais mercado para os produtos norte-americanos do que origem de importações. Até então, não era uma “ameaça” ao desejo de reindustrialização de Trump, como a China é.
As tarifas deixam os produtos brasileiros (e gaúchos) muito mais caros para os Estados Unidos. Com isso, os norte-americanos darão preferência aos fabricados lá ou em outros países menos atacados na guerra comercial. Dada a relevância deles como mercado, obviamente preocupa as empresas daqui, que devem aguardar com sangue frio o que vem por aí. E pensar que era para estar tudo se acalmando agora no segundo semestre, retomando a previsibilidade dos negócios. É tempo de o governo federal reforçar sua atuação e as entidades empresariais se manifestarem mais, para pressão e para orientação.
O que o RS mais exporta para os EUA:
- Tabaco/fumo e industrializados: 12,92%
- Máquinas e materiais elétricos: 12,8%
- Calçados: 7,28%
- Reatores nucleares, caldeiras e máquinas: 6,96%
- Madeira e carvão vegetal: 6,84%
- Armas e munições: 6,78%
- Pastas de madeira e celulose: 6,52 %
- Automóveis, tratores e outros veículos: 5,36%
- Carnes e miúdos: 4,74%
- Borracha: 2,78%
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: por que os imóveis estão mais caros, polêmica no turismo de Gramado e outros destaques da economia
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)




