
Maior rede de supermercados com atuação no Brasil, o grupo Carrefour está consolidando sua estratégia em grandes formatos, com o hipermercado Carrefour, o atacarejo Atacadão e o clube de compras Sam's Club. Algumas lojas pequenas serão mantidas com a bandeira Carrefour, é o caso dos cinco supermercados Nacional que não serão fechados no Rio Grande do Sul. O podcast Nossa Economia, de GZH, fez uma longa entrevista com o COO (chief operating officer, diretor de operações) do Carrefour Brasil, o argentino Pablo Lorenzo. Confira trechos abaixo e ouça o áudio na íntegra.
A aposta é em lojas grandes? E o Nacional, cuja marca será extinta, mas seria mantido quando o Carrefour comprou o Grupo Big?
Vamos concentrar nossos negócios em grandes formatos, que estão melhor adaptados para o que o brasileiro precisa neste momento. Nossa estratégia mudou. O supermercado, que é o modelo do Nacional, tem lojas com 1,5 mil metros quadrados com participação de apenas 1% na nossa venda. Decidimos concentrar nos grandes formatos, nos quais o custo de marketing e operação faz mais sentido com o tamanho do grupo.
Qual o plano para o Rio Grande do Sul?
Temos 42 lojas grandes e 9 mil funcionários. É nelas que vamos nos concentrar. Estamos em uma jornada de simplificação para acelerar sobre menos formatos, mas com um tamanho ainda maior.
Como foi levar o modelo brasileiro de atacarejo para a Argentina?
Quando compramos o Atacadão, em 2007, o grupo desenvolveu uma cópia do formato para Argentina e Colômbia. Na Colômbia, logo vendeu as atividades. Mas, na Argentina, continuamos a desenvolver e é um sucesso. Não usamos a bandeira Atacadão porque “atacado” não tem sentido em espanhol. Chamamos de Carrefour Maxi, mas é o mesmo modelo daqui.
Como decidem por hipermercado ou atacarejo?
Depende muito da localização e do "cliente-alvo". Se faz mais sentido vender a pequenos comerciantes, fazemos Atacadão. Se é para consumidor final, fazemos mais hipermercados, seja Carrefour ou Sam's Club. Pode também ser um combo, com um encostado no outro, na mesma construção.
O varejo de alimentos passou por uma revolução e, no Rio Grande do Sul, temos redes fortes gaúchas, além da recente entrada de concorrentes de Santa Catarina.
É uma revolução da demanda. O cliente mudou. Há 10 anos, somente 25% das pessoas no Brasil compravam no cash and carry (atacarejo). Agora, 75% compram. O próprio formato evoluiu. É muito diferente do atacado que existia há 20 anos. Nossos concorrentes também fizeram um formato no qual tem muito mais serviços ao consumidor, com mais sortimento, não apenas para vender a comerciantes, mas também com açougue, padarias, fatiados, com self-checkout (caixa de autoatendimento), com venda online e mais tecnologia.
Como será a estratégia de preço?
É uma das principais preocupações hoje da população. Estamos fazendo uma adaptação, especialmente nos supermercados, onde começamos a desenvolver ferramentas de duplo preço. Também é importante ter marcas com fornecedores regionais, que são muito competitivas. Nossa estratégia é ter uma central de compras no Rio Grande do Sul, que trabalha para o Atacadão e agora vai trabalhar também para o Carrefour.
E novas lojas?
Teremos algumas lojas do Nacional transformadas em Carrefour e poderemos ter outros, mas só se não tivermos lugar para o atacarejo. Ou seja, nossa prioridade é o Atacadão. Segunda prioridade, Sam 's Club. Terceira, hipermercado.
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